Tema: Conversão

Há 2 anos, o Papa Francisco esteve em Lisboa para te dizer que foste chamado porque és amado. Para substituíres os medos pelos sonhos e correres o risco de amar.

A intensidade do momento passou, é uma memória grata. Mas a conversão que o Senhor te pediu ainda está em processo. Ou não?

Recordando os tempos em que Deus te tocou de um modo especial, serás agradecido. Sendo agradecido, quererás lutar. E vencer, e mudar.

De todos, escolheu-te a ti.

Se te perguntam que católico queres ser, dizes coisas acertadas. Falas de amor e paz, de união e diálogo, da natureza, de respeito. Mas nunca explicas que motivos te diferem de alguém que não tem fé.

Como se fosse secundário seres filho de Deus, que te criou por amor e te chamou pelo nome, teres sido salvo por Jesus, teres uma vida de oração, comungares o corpo de Cristo, desejares ir para o céu.

Tens de cuidar do mundo e dos outros. Mas sem cuidares da tua alma, não cuidas de ninguém.

Volta a pensar que católico queres ser, desta vez à frente do sacrário. Jesus morreu por ti. Morrerias por Jesus?

Tens boa vontade, queres saber mais, crescer na oração e na amizade com Jesus. Mas é um caminho difícil e nem sabes por onde começar.

Pede ajuda a alguém. Que te explique e que te anime, que te ajude a dar o que podes dar, a descobrir e fazer render os teus talentos.

Só com o teu próprio balanço, fazes demasiados esforços para voltar a parar pouco depois. Procura alguém experiente, que te veja de fora, que te avise dos perigos que ainda desconheces e que tenha graça de Deus para te aconselhar.

E que ouça os teus desabafos, encaixe as tuas fúrias, seja consolo na tristeza e uma companhia constante de oração. Que diferença faz ter direção espiritual!

Andas de um lado para o outro. Quando paras, é a cabeça que continua: sempre mudar de preocupação, ora entusiasmado, ora triste, a imaginação solta para pensares em ti próprio, e de novo para outros mil assuntos.

No meio desse caos, vais vendo Jesus. Está aí. Mas entra na tua cabeça como mais uma coisa, que esqueces rapidamente para pensar em muitas outras. Ou nenhuma.

E começas a notar que não estás verdadeiramente com Deus. Não Lhe dás tempo, não Lhe dás atenção, não Lhe dás o esforço da amizade. Nem quando rezas.

A tua vida mudará muito quando dedicares tempo à oração, diariamente, fazendo silêncio exterior e interior, deixando para depois o que não é diálogo.

Enfermeiro, médico, assistente, cuidador... cuidas do corpo, lidas com a morte, proteges na dor.

Por tanto que te agradecem, dás-te conta do peso que tens na vida de muitos. E que bem podes fazer!

Cuidar do corpo é muito. Mas é pouco quando tens cabeça, coração e alma para cuidar. Como cuidas destes se não cuidas de ti?

No meio dessa rotina agitada, volta sempre a Jesus, o cuidador. O que por ti suportou todas as dores, o que venceu a morte dando a vida. O mesmo Cristo que os outros esperam ver quando cuidas deles.

O Espírito Santo desceu sobre os Apóstolos e deixou-lhes o coração em chamas. Com esse coração ardente mudaram o mundo, testemunhando o amor de Cristo. Livres de medos, atearam o mesmo fogo, coração a coração.

Hoje, o Espírito é o mesmo, os corações são iguais, o mundo precisa de outra mudança.

Tens deixado que o Espírito Santo tome conta de ti?

Vocês os cristãos são todos iguais, dizem todos a mesma coisa, pensam todos da mesma maneira...

Sabes que não é bem assim, mas no essencial é: Deus revelou-se e tu aceitaste-o. Bebes da fonte!

Tens sentido crítico, pensas pela tua própria cabeça e amas a verdade. Que queres descobrir, não criar. Que importa que haja outros a pensar do mesmo modo? Oxalá fossem todos.

Reconhecer a verdade com humildade é sensato. E uma graça. Envergonhar-se por partilhar opinião com outros é tolice.

Andas cansado. Acumulas tensões e imprevistos que te deixam pouco espaço interior e a sensação de ser esmagado, posto à prova. E no fundo, não o achas justo.

Não deixas de rezar, mas adotaste uma postura cínica diante de Deus. Já não procuras o Seu conforto e luz, desprezas a piedade simples, rezas entre a resignação e o amuo. Sem o dizer, esperas que Ele resolva a situação se quer que Lhe ligues.

Mas a vontade de Deus não é só para aguentar: podes amar o que Ele te envia. E confiar que Deus o vive contigo. Se fosses mais pequeno, já tinhas percebido.

Jesus, estou sempre a pesar a minha imagem. A estragar as coisas boas que me dás, por medi-las com o orgulho, contando os elogios, pedindo que me amem.

E não quero perder os Teus dons por não ser agradecido, por não reconhecer que sou um incapaz e que Tu podes tudo.

Muda-me. Que eu viva por Ti, sem contaminar, com o amor próprio, a Tua glória. Que viva na Tua sombra, alegrando-me com o que Te alegra, procurando o que Te dá gosto.

E que fuja das coisas aparentemente boas que me afastam de Ti.

Tens muitas, mais ou menos estudadas e discutidas. Mas ainda que as ultrapassasses todas, sobraria a maior delas: era admitir que não tinhas razão.

E como custa!

Basta dizê-lo para te começares a inquietar, a pensar no que vais responder, nos argumentos fortes, no modo de humilhar...

Mas, olha: não há ninguém para derrotar. Isso é entre ti e Deus. Ele espera, paciente e humilde.

A vida sem Deus é escura. Às vezes temos umas baterias de luz própria, ilusões fugazes que dão um pouco de segurança para logo nos deixarem encerrados de novo na escuridão.

Temos luz porque a recebemos de Deus. E então, que espanto, que esplendor! Tudo tem uma cor diferente, descobrem-se maravilhas, sobressaem os mais pequenos pormenores.

Aproxima-te desta fonte. É que andas encantado com a lanterna do telemóvel! E quando a bateria acaba, vives de latas de conservas...

És boa pessoa, tratas bem os outros e dás valor à solidariedade. Encontras sentido na família e nos amigos.

Mas não acreditas em Deus, nem na Igreja. Ou até acreditas, mas com uma fé frouxa, indiferente. Aborrece-te pensar e debater a moral e as verdades de fé. Afinal, não basta o amor?

A questão é saber se esse amor é a pequena luz, frágil e fugaz, de um fósforo, ou toda a cor e esplendor do céu de meio-dia. Se esse amor, que é a verdade da tua vida, está também no cosmos, no início, no fim, no porquê de tudo. Se nasce em ti e morrerá contigo, ou se dele recebeste a vida. Se é o amor que te receberá na morte.

O lugar onde estás é um bom sítio para procurar Deus! Deixa o teu amor crescer até à sua verdadeira dimensão. E encontrarás a fé.

Espera que a Missa acabe. Espera que saia o sacerdote paramentado que foi Cristo no altar. As compras e o almoço podem esperar um bocadinho.

E lembra-te que acabaste de comungar. Ainda tens Jesus dentro de ti durante uns minutos. O que lhe costumas dizer? Como aproveitas esse tempo de intimidade? Como agradeces?

Não despaches Deus, que veio ao teu encontro sem pressa.

Não te importa ser bom, agir bem, fazer o que está certo. Apenas ser bem visto.

E vais à confissão arrependido do que viram, não do que fizeste. Dói-te mais que vejam as tuas fraquezas do que virar as costas a Deus. Acabas por pecar para ficar bem.

E vives com medo dos homens e de Deus.

Olha para a cruz. Pensa no que Jesus te oferece e como o recusas. Pede-Lhe amor e dor de amor. E agradece o Seu olhar constante, atento e amoroso, sobre ti, tão diferente do teu olhar sobre os outros.

É verdade!

Vai a meio. Já fizeste alguma coisa? O teu propósito ainda está de pé?

Não tens de contar sacrifícios, nem um número de boas ações. Mas tens de insistir no esforço por te aproximares mais de Cristo.

É um tempo de graça que Ele, Jesus, te quer conceder. Recomeça hoje a luta, sem paranóias mas com generosidade. Bem disposto a acolher a proximidade que Deus tanto deseja mostrar-te.

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