Tema: Jesus Cristo

Jesus, estou sempre a pesar a minha imagem. A estragar as coisas boas que me dás, por medi-las com o orgulho, contando os elogios, pedindo que me amem.

E não quero perder os Teus dons por não ser agradecido, por não reconhecer que sou um incapaz e que Tu podes tudo.

Muda-me. Que eu viva por Ti, sem contaminar, com o amor próprio, a Tua glória. Que viva na Tua sombra, alegrando-me com o que Te alegra, procurando o que Te dá gosto.

E que fuja das coisas aparentemente boas que me afastam de Ti.

Os cristãos acabam de celebrar a Páscoa, a entrega de Jesus por cada um.

Houve um homem, que tu não conheces, que deu a sua vida por ti. Que te amou tudo o que se pode amar, sem que tu o pedisses.

Esse homem está vivo e continua a querer que o conheças, a querer explicar-te porque se entregou por ti, a querer mostrar-te a felicidade que encontras por seres amado.

Não tens curiosidade? Procura-O.

Hoje muda tudo. É a diferença entre uma vida sem saída e um caminho amplo e luminoso até ao que mais desejamos.

Vencendo a morte, Jesus abriu as portas do céu que tínhamos fechado ao virar as costas a Deus. Ressuscitando, curou todas as misérias, quebrou todas as barreiras, derrubou todos os obstáculos. Entre ti e a vida eterna já só resta a liberdade.

Deus existe. Jesus vive. Deixa-O viver em ti.

Para sempre.

Jesus tomou o teu lugar. Prendeu-Se por todas as vezes que fugiste, sofreu por todas as vezes que O negaste, amou como não foste capaz de amar, morreu para poderes voltar à vida.

Olha para a cruz. À brutalidade do pecado, Deus respondeu com o perdão. Pagou por ti cada infidelidade.

E como te queixas do que te custa!

Aceita essa dor, ama-a. Consola-te com Jesus que passou por tudo isso. Consola-O a Ele, que pagou o teu resgate.

A dor, o desprezo, a vergonha, a solidão. Tudo o que temes e de que foges. Tudo aceitou Jesus, amando-nos até ao fim.

Assim está no sacrário, entregue em cada gota, inteiro numa migalha, sem defesas, sem barreiras. Disponível para beijar os teus pés, sujos dos maus caminhos. Aceitando cada beijo teu, que te sabes capaz de O trair.

E é Deus.

Como O tratas na Eucaristia?

É deslumbrante a doutrina de Jesus. Continua a ser uma novidade e um desafio, para hoje e em todos os tempos.

Mas não podes ficar pela doutrina. Tens de chegar ao próprio Cristo, conhecê-Lo, amá-Lo, identificar-te com Ele.

E tens, nos Evangelhos, o texto que O põe diante de ti. Lê-o diariamente. Procura Jesus, entre simples e grandes, mestre, médico. Imagina o Seu rosto e gestos, o lugar e as atitudes dos outros.

Não só foi real, como ainda o é. Esse mesmo Jesus está vivo e espera-te na Eucaristia.

Porque Aquele que amas está sozinho, no sacrário, desejoso da tua companhia.

Porque é a atitude verdadeira da criatura diante do seu criador.

Porque é onde está a força que te falta e a paz que procuras.

Porque queres responder com amor ao Amor que por ti se deixou prender.

Passas lá hoje um bocadinho?

De entre todas as opções, massacrados por sedutores, enganados por promessas e sob a pressão do que se diz, a nossa escolha é Cristo.

Queremos jogar bem mas conhecemos as nossas fragilidades. Com o Mestre sabemos que seremos vitoriosos.

Agora é preparar jogo a jogo e lutar como se fosse o último. As bocas dos treinadores de bancada só nos fazem mais fortes. A graça e a comunhão dos santos acompanham-nos em cada campo.

Há muito que conquistar, com ou sem nota artística. Vamos!

Por entre a multidão, escondido na jóia feita pelas nossas mãos toscas, passa Jesus, sob a aparência do pão.

Vulnerável, sem outra guarda que a do povo que O acompanha, passa Deus para que O toquemos.

Despojado, pobre, acessível, passa o Rei dos reis sob o olhar atónito de uma cidade que pergunta: que reino é este?

Explicas-lhes?

Normalmente estás contente. Tens capacidade de entusiasmo para os projectos em que te metes: pensas com audácia, procuras surpreender e agradar, consegues trabalhar com serenidade e alegria.

Mas quando chegas ao fim, depois do consolo de ter terminado bem uma tarefa, deixas-te abater um bocadinho. Por momentos, não tens nada para mostrar, para te distrair, para receber elogios e ter importância. E dás espaço a perguntas sem sentido: o que os outros acham de ti, se o que fazes é mesmo importante, se vão voltar a contar contigo...

É muito boa essa capacidade de entusiasmo. Mas as pequenas tristezas mostram que podes trabalhar com outra intenção: só para Jesus, enquanto e naquilo que Ele quiser.

Jesus, depois de dadas todas as instruções aos apóstolos, subiu aos céus, onde está à direita do Pai.

Mas os apóstolos voltaram alegres desta despedida. Perceberam que Cristo não estava só com eles, naquele lugar determinado. Estaria para sempre, em qualquer lugar, à espera da nossa mão estendida.

Não te parece, às vezes, que Jesus desapareceu? Ele pede-te fé. É o momento de O procurares com outro empenho. O mesmo que pões nessas seguranças fugazes, que agarras e se desvanecem.

Notas que te falta tempo para dedicar à oração. Estás com muito que fazer e são coisas absorventes. Tens descuidado a vida interior mas esperas um pouco de tranquilidade para poder rezar com calma e voltar a viver com presença de Deus.

Esperas há meses...

Não te falta tempo, falta-te vontade. E a disposição de abandonar essas pequenas coisas que não são boas e das quais Jesus te falará quando Lhe deres uns minutos. Como o sabes, preferes viver temporariamente indisponível.

Ele espera. Oxalá não acabes tu por esquecer-te.

Sentes com força o peso da luta. As fraquezas desanimam-te, a tentação arrasta-te, a soberba entristece-te.

Não, não é questão de força. Deves deixar-te ajudar por Cristo, que alcançou, cravado na Cruz, o remédio para as tuas fraquezas. Unido a Ele, conseguirás libertar essas cadeias. Sem Ele, apenas te atarás a outras. Aliviado ao início, escravo na mesma.

Mas, com a delicadeza que prefere almas enamoradas, Jesus deixa-te escolher. Escolhe a liberdade.

A Igreja a falar de amor? Com que moral? Não seria melhor falar de medo? Deus ama-nos?

Mais que as mães!

A Igreja não fala de amor por ter contratado especialistas. Fala de amor porque é depositária da maior história de amor que existirá: a de Deus connosco. Fala de amor porque fala nela o próprio Cristo, feito homem por amor a cada um de nós. Fala de amor porque fala da cruz de Jesus. Fossemos bons católicos e ninguém duvidaria deste tesouro.

E tu, que continuas cético, mas não encontras consolo em parte nenhuma, fazes parte da mesma história: ninguém te ama como Deus.

Tem sido difícil rezar: estás noutro sítio. O trabalho enche-te cabeça e tempo. E tens mil outras coisas: projectos, voluntariado, associações, família, amigos...

Chegas à oração e continuas a mil, a cabeça dispersa no que está pendente, o coração distraído com a sede da eficácia e a preocupação do inacabado. Não rezas.

Mas tens de travar, entrar em silêncio. Centrar-te em Deus para O ouvir. Esse tempo de oração vai dar trabalho.

Desliga tudo, transforma as preocupações em diálogo, pega num livro que te centre em Jesus, reza pausadamente alguma oração, pede ajuda ao Espírito Santo... Talvez não chegues a uma oração afetuosa, mas disseste a Jesus que querias estar com Ele.

Tenta dizê-lo todo o dia, em plena agitação, para que a velocidade não te disperse.

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