Tema: Caridade

Foi tão difícil começar, que esperavas mais certezas. Mas às vezes parece que a insegurança aumentou. Não sabes se ele te percebe, não percebes porque não o diz, não sabes se deves insistir.

E estás cansada de ser mãe dele! Como é possível ser tão trapalhão? Será assim tão básico? Será, então, o certo?

E, no entanto, nunca te vimos tão bem. Não conhecíamos o melhor de ti que, nesse esforço, veio ao de cima. Andas serena, focada, simples.

Não te queixes tanto. Para ti é desafiante, para nós é divertido, para ele é novo, para Deus uma alegria.

És rápido, eficaz, eficiente, despachado. Ele não.

Ele não é uma máquina, nem vai ser.

Em vez de desesperar, suspirar alto, reclamar e querer fazer tudo, aprende a trabalhar em equipa.

Talvez esse humano te ensine a estudar, a tomar o tempo certo para decidir, a estar atento às outras pessoas.

E os dois juntos... que máquinas!

Um miúdo mimado quer ser o centro do mundo, que tudo se adapte aos seus gostos, que alguém resolva os seus problemas.

Quer desfrutar, deixando para outros todo o sacrifício. Acha que sabe o que lhe traz prazer e felicidade, e berra, chora, para não o perder.

Um miúdo mimado não chega a saborear a alegria da entrega. Não sabe o que é, desconfia. Não tem segurança porque vê o seu mimo sempre ameaçado. É um miúdo triste.

Liga-te às pessoas, compromete-te, aceita passar vergonhas, dá o teu lugar, olha nos olhos, ouve, serve... Cresce.

Pela caridade, não a podes desprezar. Deves saber ouvir, receber uma crítica ou um elogio. E procurar agradar sempre que podes.

Mas só a vaidade faz depender a tua felicidade da opinião dos outros. Precisas da segurança de saber que és amado, não de aprovação e de popularidade. Precisas da segurança de ter quem amar, não que pedinchem o teu amor.

Em Jesus tens sempre essa segurança.

Lembra-te disso quando ficares triste porque desejavas mais atenção. Recuperas a alegria esquecendo esse capricho, servindo os outros e falando com Deus.

Vai acontecer de tudo. Campos incríveis, aquela viagem, namoros, noivados, boatos, fim de relações, os dias naquele sítio, a semana em que estão todos, roupas novas, novos looks, novidades, experiências únicas, mudanças, gente nova, regressos...

E tu queres estar em tudo, não perder nada, saber primeiro, contar. Mas não dá. Essa sede vaidosa de estar no centro, como se tudo girasse à tua volta, não é possível, não é boa, não te faz bem.

Trata de cuidar dos outros, discretamente. Preocupa-te pelo seu descanso, ajuda, serve, dá o teu tempo. Assim ganhas muito mais e ficas sem espaço para pensar nas futilidades que temes perder. Entrega-as.

Já não te lembras, mas houve um tempo em que deste muito trabalho. Não fazias nada sozinho, sujavas tudo, tinhas birras insuportáveis, não deixavas ninguém dormir. Exigias uma atenção contínua.

Nessa altura, alguém te dedicou muito tempo, muita paciência, muito carinho, muito amor. Assim cresceste, assim se formou a família, assim construíste laços à tua volta e deixaste a tua marca no mundo. Mas esse mundo anda esquecido daqueles que cuidaram e agora precisam de cuidado.

Talvez um dia os que cuidaram de ti dêem muito trabalho. Para seres capaz de os cuidar nessa altura, tens agora de lhes dar muito carinho. Mas para que estamos a falar de justiça?! Cuidarás por amor, certo?

Os teus avós, com melhor ou pior saúde, merecem sempre –hoje!– a tua atenção. Vai estar com eles, liga-lhes, reza, surpreende.

Feliz dia dos avós de Jesus!

Há gatos bem cuidados. E velhos também. Há velhos abandonados. E gatos também.

Entendo o teu empenho em cuidar dos gatos. Mas não entendo a indiferença em relação aos velhos. Não há um único animal à frente de uma pessoa.

Cuida do gato se te der pena, se estiveres ligado, se for companhia. Cuida do velho porque é um dos teus. É sempre.

Custa mais, complica a vida? É o que estás chamado a fazer: servir. Pensa onde podes ajudar e começa, pensa o que podes prever e prepara-o.

Também há velhos que cuidam de gatos. Talvez disfarçando a pena de uma enorme solidão. Ajudamos?

Hoje é o domingo da Divina Misericórdia. A misericórdia de Deus que és chamado a imitar.

Vai ter com quem estás magoado e reconcilia-te. Perdoa a quem te pediu perdão. Limpa do teu coração todo o ódio e indiferença. Reza por aqueles de quem tens pensado mal.

Com todos eles, Deus é misericordioso. Serás tu capaz de o ser?

Se não for contigo, é fácil e bonito falar de misericórdia. Mas quando te pisam...

Às vezes és negativo, pessimista. E um bocadinho orgulhoso.

Olha à tua volta. Estás rodeado de pessoas boas. Admiravelmente boas! Que são exemplo e ânimo, que se entregam por pouco. Atentas, generosas e alegres. Fiéis.

Não deixes que as coisas negativas te tapem os olhos a estes sinais de esperança.

Agradece a Deus que os colocou no teu caminho. Aproveita o exemplo. Apoia-te neles.

Aquela pessoa de que todos fogem porque é maçadora, inoportuna, insistente, inconveniente ou ridícula, encontrou em ti um pouco de caridade. E agora não te larga.

Perdes tempo. Mas incomoda-te mais o desgaste da tua imagem: que te associem ao estilo, que pensem que és igual ou que só consegues amigos destes, que não és do grupo dos fixes!

E o que importa o que pensam? Se o teu coração é de Cristo, há lugar para todos. Não para os aturar: Deus pede que os ames e sirvas. Desta vez, sem receber nada em troca.

Não te queixes. Talvez tu sejas essa cruz para outros!

Disparas em todas as direções. Quando não concordas és terrível: desmontas ideias, destróis argumentos, mordes!

Mas ninguém sabe o que pensas. Não tens nenhuma proposta, não ofereces alternativa: destróis para nada erguer.

Parecia que a tua vida tinha um rumo. Afinal, só sabes por onde não ir. É assim que esperas que alguém te acompanhe?

Estão todos a andar no mesmo sentido, mas a tua consciência insiste que deves ir ao contrário.

Ninguém te diz nada. Só uns encontrões irritados, risos, olhares trocistas. Ao longe alguém berra: agarrem esse idiota, que ainda arrasta alguém com ele!

E insistes, com uma coragem que não é tua, guiado por essa voz interior. Ninguém te apoia, mas uma criança pega na tua mão e pede-te ajuda. Aumenta o peso, as críticas sobem de tom. Tens de a guiar.

Outra se agarra, ferida. E outra, doente. Carregas agora um pequeno grupo que o medo escondia da multidão.

Já se vêem, já contam. E já se ouvem, naquele êxodo, uns murmúrios frustrados: estes sabem para onde vão.

Preso a Cristo e puxando outros, não tens de fazer o que todos fazem.

Bonito. E verdade, no fundo.

Mas o amor não anda no ar: tens de o personalizar. E assim, personalizado, vem carregado de sacrifício. Quem amas? E como dás esse amor? Como te cansas, como entregas o que te agrada, como aceitas os defeitos e as fragilidades, como reconheces as tuas fraquezas?

Não é tirar-lhe a poesia, é vivê-lo na realidade. É esse o amor que conta, é o único que vale. Como o amor de Cristo, por ti, na cruz.

É bonita a tua preferência pelos mais fracos, a consideração que tens por quem sofreu ou sofre, a comoção que sentes pela dor e pela doença.

Mas chega a ser tão sentimental que lhes nega a autonomia, tão boazinha que lhes despreza a liberdade.

Ajuda no que podes, ajudando-os a dar o que podem. Não é preciso –nem bom!– desculpar tudo e tudo permitir. Há lutas a travar, talentos por descobrir, pecados a corrigir.

O caminho é diferente. Mas a proposta ainda é a santidade.

Não há mais nenhum no teu ambiente que, além disso, ainda acha ridículas as tuas ideias. Preferias não ter de guardar a fé com tantos riscos de imagem ou tanta sede de confronto. Tens medo.

Mas o teu papel aí não é brilhar, nem vencer. É servir.

Em vez do grupo, pensa nas pessoas uma a uma: este, aquela, o outro... Consegues ter, para cada um, os mesmos sentimentos de Cristo?

O ambiente, o grupo, a multidão, continuarão a assustar-te. Mas a amizade não mete medo. E um bom amigo é um exemplo eloquente da mensagem de Jesus. És?

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