Tema: Oração

A tua oração ficou difícil.

Vais atrasando, sem vontade, usando qualquer desculpa. Enquanto rezas, olhas para o relógio e distrais-te com as notificações que não te apetece desligar. O diálogo com Deus não tem entusiasmado, não tens grandes luzes. Também sabes que não é o teu momento mais generoso.

E queres desistir, fazer uma pausa.

Não desistas, nunca deixes a oração. Nessa aparente secura podes ser criativo, como é o amor. Podes ser simples, serenamente leal, dizendo ao teu Senhor que não querias estar ali. Mas estás.

A vida corre-te bem. Desde sempre, muito bem. Com saúde, com amigos, com serenidade, com grandes momentos, com paz.

Tão bem que até tens medo de Deus. Que Ele te esteja a preparar para um pedido muito difícil, como outros à tua volta: vidas duras, problemas muito pesados sem fim à vista, conflitos, doença. E à mínima contrariedade, pensas que é agora.

Agradece a Deus a boa vida que te dá e abandona-te nas Suas mãos. Diz-Lhe que aceitas tudo o que te enviar. Mas não tenhas medo.

Não tens força nem graça para lutar com o que não existe. Nem o teu amor a Deus pode depender de que a vida seja fácil. Se Lhe fores fiel, será boa. Por amor, não por medo.

Hoje, Jesus deixa-Se levar pelas ruas da cidade, acompanhado pela nossa devoção e pelo olhar admirado de quem não O conhece.

Amanhã, Jesus continua a deixar-Se encontrar mas espera que O leves tu à cidade, ao trabalho, à família, aos amigos.

Enche-te de Deus. Procura-O no sacrário, faz-Lhe companhia. Arranja tempo para estar presente.

E enche de Deus o mundo, com o exemplo e com a palavra. Sem vergonha, sem medo. Como Ele, por amor.

Jesus, um dia havia de sentir falta do que entreguei. Sabia-o, mas envergonha-me esta leve esperança de o reaver. E com inveja dos outros, tenho pena de mim.

Sim, devolve-me o que Te dei. Mas não como o pus nas Tuas mãos. Dá-me antes o Teu coração em troca do meu, dá-me os Teus cravos em troca da minha liberdade, dá-me o Teu afeto em troca dos que larguei, dá-me a Tua paz em troca da minha ambição, dá-me o Teu amor em troca da minha vida.

E, em troca do meu entendimento, a luz. Para ver como ganho, dando-Te o que queria guardar.

Foste batizado em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Assim te benzes e terminas muitas orações.

O mistério central da tua fé revela um pouco da intimidade de Deus. Sendo um só, é comunhão. E convida-te a fazer parte dessa comunicação de amor.

Hoje, festa da Santíssima Trindade, procura Deus que mora na tua alma. Entra em diálogo com o Pai, com o Filho e com o Espírito Santo. E pede a fé que te falta para te maravilhares com o amor que não compreendes. Mas tocas.

Lembras-te como falavas com Deus? As palavras simples que aprendeste em casa, pedidos de ajuda e proteção, declarações de um amor alegre, ingénuo e sincero.

Agora a tua fé é mais intelectual. Mas por que deixaste de rezar com simplicidade?

Volta à tua piedade de criança. Reza antes de dormir e ao acordar. Põe sempre o teu dia, –a tua vida– nas mãos de Deus, que te criou, que te guarda, que te olha em cada momento.

É o teu sítio.

Como seria o mundo à tua volta se vivesses mais entregue? O que mudaria se decidisses dar-te totalmente, por amor a Deus? Não mexe contigo que haja tantos longe Dele?

Fazem falta as vocações entregues e a oração é o nosso principal recurso. Reza a tua vocação, reza pela dos outros. Deus chama todos.

*

E junta-te a uma rede de oração pelas vocações que é a coisa mais simples do mundo: rezar todos os dias a mesma oração. Link na história.

O pedido de Nossa Senhora em Fátima foi simples e claro. Em todas as aparições pediu para rezarmos o terço todos os dias.

Mas não tens tempo... Claro que tens! Se o podes rezar numa viagem, a caminho da faculdade, se o podes seguir pela rádio ou num podcast, se podes reservar o mesmo tempo que reservas para coisas importantes.

Mas não consegues estar atento... Claro que consegues! Se te esforças, se combinas rezar com alguém, se meditas os mistérios, se pões intenções nessa oração.

Mas não te ajuda muito... Claro que ajuda! Se confias na piedade simples, se não procuras uma oração sofisticada, se rezas com fé e amor.

Reza hoje. E amanhã, e depois...

O que quer dizer que talvez não te peça isso.

Ou, então, pede. Por isso, consegues, ainda que seja difícil e te apeteça muito pouco.

Prepara-te para tentar: pede ajuda, faz o que podes e confia em Deus, que fará o que não podes.

Jesus, com um enorme desejo de estar contigo, comecei a minha oração. E aos poucos minutos desse diálogo, de que tanto precisava, a melga fez um voo rasante no meu ouvido.

Não duvido que me escutasses mas, quanto à melga, não fizeste nada! Voltou uma e outra vez, boicotando a minha oração e desafiando a minha serenidade.

E a minha alma vagueou indecisa entre os mais belos suspiros de amor e o frio instinto assassino.

A oração sobreviveu. A melga não.

Às vezes, Deus surpreende-nos com momentos bons, de uma alegria e paz sobrenaturais. Mas normalmente é preciso lutar, lidar com a circunstância, dar a volta, adaptar-se. É a vida!

Senhor, conheces os meus sonhos e projectos, sabes o que gostava de fazer e onde preferia servir-Te. E volto a pedir-Te por isso.

Mas podes pôr-me onde fizer falta, pedir-me o que achares melhor. Sei que me darás a graça para o cumprir. A força e a luz para o levar a cabo. O ânimo para desfrutar.

E que mais posso desejar que a Tua divina vontade?

Como não deves? Tudo te foi dado! A vida e os talentos que tens, as oportunidades que aproveitaste ou deixaste passar, as alegrias e a esperança. Tudo dom.

Se não reconheces a tua indigência, nunca acolherás o amor de Deus, nem a necessidade que tens dos outros.

Não serás agradecido, não serás humilde.

E serás, provavelmente, bastante insuportável.

Andas a rezar com gosto. Esperas com sede esse tempo de conversa com Jesus e notas que ilumina todo o teu dia. Ninguém te conhece como Ele e gozas com o que aprendes de ti mesmo.

Não fiques por aí. Não centres a oração apenas em ti.

Centra-a em Deus. E, com Ele, sai em busca dos outros, dos que amas, dos que queres aproximar de Jesus, dos bons projectos que há por fazer, das intenções de toda a Igreja.

Quão longe? Podes ir até ao Céu e percorrer o mundo inteiro.

Tens técnicas apuradas para a oração, encontraste um modo irresistível de apresentar Jesus, sabes como a Igreja se deve posicionar, és profissional nas tuas iniciativas apostólicas, tens uma estratégia para mudar o mundo.

E deixaste de confiar no poder de Deus.

Já não contas com milagres, não esperas pelo sobrenatural, não confias na petição, já não te prostras, não vives de fé. Se a tivesses como um grão de mostarda...

Não te esqueças que é em Deus que acreditas. Aquele que te pede todo o esforço humano de que és capaz para O servir é o mesmo que pode resolver tudo sem que mexas uma palha. Só para lembrar.

Jesus pediu colo a São José, pediu que O consolasse e que O levasse à Sua Mãe. Pediu-lhe a mão quando estava escuro.

Pediu-lhe o que estava alto e onde não chegava, pediu-lhe que Lhe ensinasse o que ainda não aprendera, pediu-lhe a força que ainda não tinha.

Pediu-lhe água quando teve sede, pediu-lhe ajuda quando trabalhou, pediu-lhe segredo quando fez uma surpresa. E um abraço quando chorou.

Pede como Jesus. José dar-te-á como ao Menino. E fará que te dês como ele se deu.

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