Não gostas do modo de falar do padre da tua comunidade. Não é para o teu nível, não faz o teu estilo. E vais a outra.

Mas só escolhes as que são minimamente conhecidas. Juntas-te aos pastores da moda, saltando de rebanho. Queres estar onde as coisas acontecem, fazer parte da mudança ainda que, por ti, nada mude.

Abandonas os sítios difíceis porque não queres ajudar. Juntas-te onde há mais fruto porque não tens de ajudar.

Se dependesse de ti, quem iria à igreja? É que depende. Está certo que procures o que mais te ajuda. Mas já é hora de meteres o ombro.

Começou.

Não muda nada. Mas é sempre bom aproveitar a sensação de recomeço. Nas mesmas coisas, com um ânimo diferente.

O Natal em família ajudou-te a recordar que tens um porto seguro. Olhar para o presépio voltou a aproximar-te de um Deus que às vezes temes. E parece que podes mais.

Vai ser bom? Vai ser mau? Recomeça com confiança e com um desejo simples: que, no novo ano, Jesus te faça capaz de aceitar tudo.

Acabou.

Olha para trás sem medo. Não foi tudo perfeito mas tudo Jesus arranja.

Olha para trás sem rancor. Ainda vais a tempo de pedir perdão e ainda podes perdoar.

Olha para trás sem apegos. Algumas coisas deves largar, a vida segue.

Agradece o que foi bom. E o menos bom também. Depois de perdoado, desaparece no teu copo de Sauvignon Blanc!

É importante cuidares da saúde. Muito importante.

Desde que não fiques insuportavelmente vaidoso pela saúde que tens. E desde que não queiras alterar a vida de toda a gente por causa do teu regime. E desde que não sejas paranóico das medições e das contagens. E desde que não ponhas a tua esperança no bem estar. E desde que não desprezes as obrigações para estar em forma. E desde que não percas a liberdade.

A saúde pela saúde, vale pouco. Há muito para além dela. E antes: Deus, vida eterna, família, amigos, virtudes, paz...

Já sei que tudo ganha se estiveres saudável. Estás tanto que perdem todos!

Talvez. Pelo menos dá alegria ver tantas pessoas que conhecem Jesus e aderem a Ele, que mudam de vida, que testemunham uma nova esperança.

Mas não te esqueças que, antes de uma batalha cultural, estás metido numa batalha pessoal: queres ser santo. Tanto num mundo crente, como mergulhado numa cultura pagã. E podes sê-lo.

Alegra-te com o crescimento da Igreja. E renova, perante Deus, a tua decisão de O seguir em qualquer circunstância, interior e exterior, fácil ou difícil, se te ajudarem ou se te perseguirem, se te amarem ou se fores desprezado.

Somos mais? Bendito seja Deus. Somos menos? Bendito seja Deus.

Assustas-te com o que Deus pode pedir-te. Tens medo de não ser forte para superar uma grande prova, uma dor prolongada.

Pede ajuda se a prova aparecer e não sofras por antecipação. Pensa, sim, se tens coragem hoje.

Não és corajoso apenas quando fazes o que é difícil, não tendo outra hipótese. Mas, antes disso, quando fazes o que está certo, não sendo obrigado a fazê-lo.

É a coragem de todos os dias. A da generosidade, da coerência, do serviço, da entrega.

Normalmente faz. Mas Deus pode pedir-te que te ocupes agora de outra coisa. Que sirvas onde és necessário e não onde mais gostas. Que faças o que falta e não o que fazes bem.

E se é o que Deus pede, é o que te fará melhor. Mesmo que o que fazias tão bem fique mal desenrascado por outro qualquer.

Aceita-o. Oferece esse sacrifício e o que mais te custa: não estar sempre a reparar que farias melhor o que agora fazem outros no teu lugar. Poderão dar o mesmo fruto com a tua entrega calada no que te foi pedido.

Não feches já o Natal. Deixa estar o presépio, deixa as velas acesas.

Prolonga o bom tempo em família que viveste, continua a servir com boa cara, marca os "depois combinamos" que disseste na consoada.

Deixa que o modo terno e simples com que olhas para Deus nestes dias, entre na tua rotina, nos teus dias de trabalho.

Deixa-te estar no presépio. Sem pressas.

E somos capazes de nos habituar, de fixar o olhar noutro lugar.

Deus habita entre nós. Fez-se homem, como tu e eu, pisou a mesma terra, trabalhou, amou com coração humano.

Só podemos maravilhar-nos ao contemplar, no presépio, a simplicidade de um Menino que é Deus. E a grandeza de um Deus que, por amor, se despojou de toda a realeza.

É espantoso. É sempre novo. Hoje e cada dia.

Um Santo Natal.

Vens hoje, Jesus.

Não ligues à desarrumação. Demos um jeito no que pudemos, mas o lugar não é o que queríamos preparar para um rei.

Vai estar pouca gente. Devem aparecer alguns pastores e as crianças da aldeia. Parou aqui uma estrela e pode ser que traga uns estrangeiros.

Está frio. Temos uns paninhos e palha, muita palha. Não há de faltar nada.

Pode não parecer, Jesus, mas queremos muito que venhas. Isto contigo é tão diferente! Até já.

Mesmo tendo tudo atrasado e muito que fazer, mesmo sabendo que leva tempo, mesmo que não seja necessário.

Assim como te vestes bem e preparas a casa para a chegada do Menino, queres ter limpa a tua alma para que Ele a encontre o melhor possível.

Como Maria preparou, tanto quanto podia, aquele estábulo que Jesus fez brilhar.

O brilho é Dele. Mas como fica bem na tua alma transparente, que O acolhe e entrega aos outros.

Um tempo alegre e sereno, com boas conversas, em que o que sentimos de bom uns pelos outros se diz sem pudor. Um bom jantar, com bom vinho e boas sobremesas. Os presentes certos, o coração aquecido, a família em paz.

Mas, às vezes, o jantar é uma seca. Não tens conversa para a família que nunca vês. Está um frio glaciar, não gostas de bacalhau e recebes a caixa de bombons que tinhas oferecido no Natal anterior. Passaste horas em filas e na cozinha, a mesa das crianças está impossível e só queres que o Natal acabe.

Se esperares dos dias de Natal um tempo simples em conversa com o Menino Jesus; se tentares renovar a tua entrega ao Deus que se entregou; se alimentares a tua relação com Deus olhando para o presépio; então, terás mais motivos para fazer do Natal um momento especial; e mais razões para sorrir se a festa for uma desilusão.

Estás sempre a contar o que mereces. Se és generoso na oração, exiges que Deus te ouça. Se fazes um gesto de caridade, exiges que o façam a ti. Se estás mal disposto, exiges que estejam todos. Se serves, exiges que te sirvam. Se te esforçaste, exiges reconhecimento. Tens sempre que receber em troca.

Então?! Não tinhas escolhido viver por amor?

Não faças contas.

Tu, que podias estar à frente de obras apostólicas? Tu, que fazes coisas importantes? Tu, que és procurado pela multidão? Tu, que dás tanto fruto?

Tens agora que largar tudo isso para ocupar-te em tarefas domésticas? Largar tanto fruto para cuidar de velhos e doentes? Largar um trabalho prestigiado para servir os últimos? Largar o que te faz brilhar para viver escondido?

Se é o que te pedem agora, é o que deves fazer. Virá mais fruto dessa entrega, que de todo o alarido que existe à tua volta.

Não sejas convencido, não és mais digno que ninguém. E se o bem que fazes tem que ser visível, não o fazes assim tão bem.

Tudo nos lembra Jesus, tudo nos fala do acontecimento mais espantoso da história: Deus faz-se homem.

Até as figurinhas de barro, deformadas, que existem em todas as casas e não se parecem nada com ovelhas, nos ajudam a rezar.

A época é ternurenta e o coração está bem disposto: que tudo te leve a dizer algo ao Menino Deus. Os presépios, as árvores, as estrelas, a neve, o bacalhau, as promoções... E assim, também o que não fala de Jesus te serve para falares com Ele.

Prepara-Lhe um lugar. Está quase.

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