Queres preparar o teu futuro e aproveitas todas as oportunidades para te formares. Entre cursos, vídeos, coaching e livros, percebeste que as ferramentas necessárias para ter sucesso são demasiadas. Mas queres todas!

Ter sentido prático e vida intelectual, ter sentido crítico e receber feedback, comunicar bem e saber escutar, ser ambicioso e austero, saber de programação e falar várias línguas, cuidar a imagem e estar atento a todos, planear e ser desenrascado, ser autónomo e pedir ajuda...

Não dá. Estás a desprezar coisas importantes tentando apanhar um comboio que vai mais rápido do que tu. Escolhe alguma coisa e vai mais devagar. Não faz mal ser imperfeito.

Às vezes parece que Deus pede mais a ti do que a outros.

Que sorte! Os pedidos de Deus não são castigos, são declarações de amor.

Se parece que a ti te pede mais... dá mais.

Que te dê um centro e te faça sair de ti mesmo. Que te ajude a sentir realizado. Que te dignifique e dê sentido a tudo o que fazes. Que te entusiasme. Que te motive para lutar e te dê alento nas derrotas. Que seja uma escolha livre e não imposta. Que sirva para tudo e para sempre. Que preencha a tua vida. Que seja acessível também na debilidade. Que te faça melhor a ti e aos que estão à tua volta. Que valha a pena viver e morrer por ele.

Tudo mudava se tivesses um ideal.

Ser santo?

És franco e sincero. Tens sentido prático e descomplicas. És inconformista e destemido. Trabalhas bem e apresentas resultados. Isso é bom.

És seco e antipático. Falas com orgulho e achas-te superior. Não ouves, não te adaptas. Tens sempre razão. Isso estraga tudo o resto.

Tens talentos para servir. Não queiras ser servido.

Já viste que não tens vocação ao celibato, nem à vida religiosa, nem ao sacerdócio. Também não te vês a trabalhar em projetos da Igreja, nem sequer em atividades de cariz católico. Até tens a vida resolvida, pessoal, afetiva e profissionalmente.

E ficaste com a ideia de que não podias ou não devias entregar a vida a Deus. Que não te era pedido tanto.

Mas Deus continua a querer a tua vida inteira, toda a tua capacidade, todo o teu coração. Aí onde estás podes entregar-te, fazer tudo por Cristo e com Ele, trabalhar para o Seu reino, transformar em oração tudo aquilo em que tocas, ver os outros com os olhos de Jesus.

Deus quer tudo de todos.

De uma análise detalhada ao pontificado do Papa Leão XIV nestes pouco mais de 8 meses, concluímos que podemos estar mais unidos ao Papa, rezar mais por ele, ler com mais frequência o que nos diz, tentar pôr em prática o que nos aconselha e dar prioridade ao que o Santo Padre considera prioritário.

Um bocadinho mais de oito meses é um marco tão bom como outro qualquer para renovar o sentido de filiação ao Vigário de Cristo!

Por onde vais começar?

É o que te preocupa quando falas, quando chegas a algum sítio, quando conheces alguém, quando tens responsabilidades.

Não desfrutas do convívio porque tens na cabeça o juízo dos outros. Detestas surpresas porque não sabes como vais reagir. Medes as palavras pelo impacto que vais causar. Não ajudas porque podem não aceitar-te.

Estás a pôr a tua imagem à frente do bem que podes fazer. E, provavelmente, a julgar demasiado.

Larga esse vício. Sabes bem que não tens muitos motivos para que te admirem. E que Jesus não precisa deles para te amar muito mais do que tu a ti próprio.

Tens imensos talentos, boas ideias, iniciativa. Entusiasmas-te com facilidade e lanças novos projetos.

Sem continuidade.

Quando chega a parte chata, as tarefas repetidas, a necessidade de insistir, a formação dos que te substituirão, perdes a paciência e ocupas-te em novidades.

Já fazes um grande bem. Imagina se fosses constante.

Deixa os bons projetos ganhar peso e profundidade, não te prendas nos frutos imediatos, dá tempo ao que pode amadurecer. Faz menos. Bem feito.

Tens muitas ideias sobre a Igreja, muitos planos e soluções, muitas certezas, muitas opiniões.

Mas ouço-te falar de vendas, de sociologia, de psicologia, de política, de posicionamento, de estratégia, de história, de comunicação, de moda... e nunca de Jesus.

Não deixes de falar de nada, mas não o sobreponhas ao essencial. Ainda que sejamos peritos em muitas coisas, se não damos Jesus Cristo, estamos a perder o tempo.

Jesus, não sei fazer mais, não posso estar mais perto, não tenho mais ideias.

Digo que o deixo nas Tuas mãos para tentar tranquilizar-me. Mas continuo inquieto.

Repeti-lo-ei. E acrescento às tuas mãos a própria inquietação.

É mesmo. A Igreja está cheia de loucos. Está cheia de pessoas sem jeito para se relacionar, cheia de excêntricos. Cheia dos que repelem porque chocam os sentidos. Cheia dos que ficaram sós e não têm outro lugar. Está cheia daqueles de quem foges, dos que evitas, dos que nunca escolhes.

Sentou-se um deles ao teu lado na Missa. O teu corpinho asseado, sensato e digno sentiu-se desconfortável.

Mas tiveste inveja do louco: ele, predileto de Deus, também estava entregue sobre o altar.

Talvez possas sujar mais as mãos e aproximar-te dos que o Senhor uniu à Cruz. Afinal, vais à Igreja fazer o quê?

Não tem vergonha mas também não dá nas vistas. Não deixa de dizer o que pensa, com serenidade. Ouve sempre. Fez coisas incríveis e ninguém sabe que as fez. Tem uma profunda vida interior, só conhecida de Deus. Sofre mas traz sempre um sorriso no rosto.

Não tem jeito para a multidão, nem sequer para o grupo, mas todos querem que esteja. Não fala de si, pergunta pelos outros. Carrega os problemas de muitos e entrega os seus a poucos. E a Deus.

Não pergunta por curiosidade, não conta o que lhe contaste. Não alimenta boatos, não critica pelas costas.

É tão suave a discrição.

Os que ouviam Jesus admiravam-se com a Sua autoridade. Falava-lhes de um modo novo, cheio de convicção mas, sobretudo, de caridade.

A autoridade que entusiasmou as multidões que seguiram o Senhor, foi a mesma com que falou desde a cruz, já sem o aplauso do povo, mas cheio do mesmo amor.

Podemos voltar a falar de Deus com autoridade. Não como a estratégia dos que querem vencer, derrotar, humilhar. Mas como Cristo, que quer servir.

Isso sim, é admirável!

Sabes que fizeste asneira, mas os outros também fizeram. O resultado foi mau, mas estava na média. Não precisas de tanto, mas os outros também têm. Não tens direito, mas choras porque alguém tem.

Não lutas pelo bem, apenas pelo que os outros lutam. Não evitas o mal se mais ninguém o evitar. Só ajudas o que os outros ajudam. Só corriges o que é diferente. Vives tranquilo, por comparação.

Cuidado, os teus pecados são teus, não são dos outros. Acorda, és único para o amor de Deus.

Jesus levaria a Cruz se só existisses tu.

A mensagem que a senhora à tua frente está a escrever não é para tu leres. O mail que viste no computador aberto de alguém não é para ti. A conversa do casal na mesa ao lado não te diz respeito.

Tens sempre as antenas ligadas, prontas a intrometer-se na vida pessoal dos outros. Informação é poder. Queres ter coisas para contar.

Recolhe-te, não sejas frívolo, mete-te na tua vida. Se não respeitas a intimidade dos outros, também não respeitas a tua. E, sem intimidade, não és ninguém.

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