Tema: Trabalho

Voltaram. O mesmo horário, os mesmo hábitos, a mesma cara ensonada, o mesmo tupperware, a mesma pressa, o mesmo trânsito, o mesmo beijo, os mesmos rostos, as mesmas orações...

O mesmo Deus à tua espera em todas essas obras, que podes viver com alegria, pondo amor em cada uma. E em vez de repetições, farás gestos únicos.

A rotina também te equilibra, dá espaço ao que é importante, mantém-te no caminho, com passos serenos e seguros.

Não esperes coisas extraordinárias: aprende a crescer na perseverança.

És um bom profissional. Responsável, generoso, competente. Cresceste no teu trabalho com esforço, com disciplina, com rigor. Todos sabem que lhe dás valor e que é para ti uma prioridade.

Por isso, tornou-se a desculpa perfeita.

Por teres de trabalhar, esquivas-te a muitas coisas que não te apetece fazer. E ninguém põe em causa as tuas razões profissionais. Mas tu podes pôr.

Deus, família, amizades... Há deveres que devem passar à frente do trabalho. Por muito CEO que sejas!

Acabaram de se conhecer, chegaste agora a esse grupo, és novo na empresa... Pode chocar e não há contexto.

Um mês depois ainda ninguém sabe da tua fé. Ainda estás a formar uma imagem. Desconfias que são ferozmente contra a Igreja.

Passou um ano e não és capaz de dizer a ninguém que és católico. Era assumir escolhas muito mal vistas. E agora seria estranho descobri-lo ao fim de tanto tempo. Pareceria que o estiveste a esconder.

É porque escondeste. Se amasses Jesus, agias simplesmente com naturalidade, sem máscaras. Se não te queimas, já não será preciso dizer que és católico: acabarás por deixar de o ser.

A fazer o mesmo que tu, com o mesmo horário e salário, que leva almoço de casa, tem rotinas semelhantes e uma garrafa de água igual.

Mas parece-te especialmente contente. Se lhe perguntas, diz que é filho de Deus. Também o vês atento a todos: diz que está ali para servir.

Não terá o mesmo chefe? Sim, mas também fala de Outro. Um que paga melhor!

Esse bom trabalhador, que luta por ser santo, podes ser tu. Tens tudo o que é preciso.

São horas infindáveis de trabalho que te tiram tempo para tudo o resto: a família, os amigos, a oração, o descanso.

Entregas-te com a postura de quem se sacrifica pela causa. Mas na verdade não percebo porque passas ali tantas horas.

Multiplicas os cafés e as pausas. Gastas imenso tempo a procurar coisas porque tens tudo desordenado. Não queres delegar porque não confias em ninguém. Interrompes o trabalho por tudo e por nada. Perdes tempo com o que gostas para fugir do importante. Não levas até ao fim as tarefas que começas.

Talvez fique bem sair tarde do trabalho. Mas talvez pudesses fazer o mesmo em metade do tempo.

Falta-te audácia. Tentas sempre pequenino, seguro. Não acreditas nas pessoas, nem no trabalho bem feito, nem no poder de Deus. Vives a enterrar talentos, teus e de outros, para não os perder.

Ao teu lado, fazem grandes coisas os que não conhecem Cristo. Atraem gente, trabalham bem, mexem-se.

Faz como eles, aponta alto. Tens os mesmos meios. Tens motivos maiores. E tens Deus!

Que não entusiasma, que preferias que fosse outro a fazer, que interrompes mil vezes, que te aborrece.

Esse é o trabalho onde tens de te santificar agora.

Não farás sempre o que mais gostas. Farás o que podes, ou o que precisas, ou o que outros precisam.

Por muito desinteressante que seja, podes sempre trabalhar nisso com o esforço, a diligência e o brio de quem trabalha por amor. Amor a Deus, que sabe, e amor aos outros que não precisam de saber.

Não era viciado e nunca apostava muito. Entretinha-se online em palpites sobre tudo para tentar fazer uns trocos. Às vezes perdia, outras ganhava. Uma vez assustou-se com o que gastou, mas um golpe de sorte foi suficiente para equilibrar as contas. Era um passatempo.

O tempo passou.

Hoje vive com remorsos. Horas e horas perdidas, irresponsáveis e sem interesse. Um apego inconsciente às novidades. Mas, sobretudo, o desejo escondido por dinheiro fácil e a esperança infantil de poder viver sem trabalhar.

A vida não é fácil. Perdida em apostas, também não é boa: se não for por fazer mal, é por não ter feito nada. Não arrisques: trabalha!

E chega a época em que és a pessoa que mais sofre no mundo! Porque te continuam a pedir coisas sabendo que tens de estudar. Porque parece que não ligam ao teu esforço. Porque não estudaste antes mas ninguém percebe que a culpa foi de outros. Porque te exigem mais e mais trabalho.

Por Deus e para Ele, deves ser um bom estudante: que trabalha com esforço para levar o mundo a Deus, que ama a criação das mãos do seu pai, que aproxima de Cristo os que estudam com ele, que oferece a Deus o seu trabalho bem feito. E não vive obcecado com os resultados.

Contra o egoísmo ou a preguiça, estuda por amor.

Não nos consta que São José tivesse uma oficina conhecida. Não recebeu prémios nem expôs em feiras de mobiliário. Não se distinguiu nas artes marceneiras nem entrou para história do design. Não conservamos sequer uma cadeirinha da casa de Nazaré.

Consta-nos que trabalhou.

Tu e eu, que não estamos entre as pessoas mais geniais do mundo, nem entre as menos capazes, para fazer algo de jeito precisamos do mesmo: trabalhar.

E se, imitando José, trabalhamos com Jesus por companhia, seremos tão ditosos quanto ele.

Feliz dia (do) trabalhador!

O lixo que acumulas porque alguém deve limpar, tudo o que gastas porque alguém há de pagar, o café que não tiras porque to levam à secretária.

E as aldrabices que inventas para parecer que fizeste, o trabalho que roubas para fingir que é teu, as ideias que escondes para ganhares só tu. E o tempo que ocupas com os teus vídeos, as tuas compras e os teus jogos.

Não encontras Deus no trabalho se não és verdadeiro e honesto. E só levas alguém até Ele se és simpático e disponível, se facilitas o seu trabalho, se ajudas, se te adiantas no que podes.

O trabalho é um serviço. Já percebi que queres ser servido. Para ganhar o quê?!

Claro!

Também me faço com o que faço. O trabalho constrói-me, é um lugar de encontro com os outros e com Deus.

Colaboro com o criador na Sua obra, e desfruto dessa alegria da criatividade. É o lugar de missão onde Deus conta comigo e posso ser testemunho. E o esforço que me vale o salário que mereço!

Isso de querer não fazer nada é egoísmo e ingenuidade.

*

A propósito: nos próximos dias podemos não trabalhar e não trabalhamos! O Queima-te regressa na Quaresma!

Com o ânimo dos reinícios.

Com o brio da novidade.

Com o esforço das conquistas.

Com a humildade de quem trabalha para Deus.

Com o amor de um filho Seu.

Boa época de exames!

Porque vais ter sorte, porque estás confiante, porque é favorável ao teu signo, porque houve sinais, porque mereces...

Eu não confiava.

Ou trabalhas ou fica tudo na mesma!

A sorte é que esse vínculo é solúvel. Porque enquanto o mantiveres, será difícil haver outro.

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