Tema: Formação

Meter Deus inteiro na tua na cabeça. E quando, arrumadinho nos limites da tua inteligência, deixar de ser Deus, então acreditarás nele.

Não és tu que constróis Deus, são os Seus mistérios que iluminam o que tu és e revelam pouco, muito pouco do que é Deus.

Procura, com empenho, compreender o que puderes. Mas aceita humildemente que não compreenderás nunca tudo. Nem de Deus, nem de coisa alguma.

Não se ama sem uma boa dose de abandono.

Podias conhecer com outra profundidade a vida espiritual, estudar pausadamente aquele tema doutrinal difícil, aprender com a experiência dos santos que tiveram as mesmas lutas que tu, abrir a imaginação ao ler a vida de Jesus.

Mas não lês. Talvez te consigas desenrascar com uns vídeos e umas conversas. Mas vais muito mais lentamente.

Lê, esforça-te, força-o. Vence a preguiça e a frivolidade.

És chamado a muito mais. Se não lês, não sei se algum o dia o vais perceber.

Agarra-te a qualquer coisa! Faz o teu caminho...

Esta não é uma ideia cristã! Não está cada um por si, abandonado aos caprichos do acaso. Há um Deus que te quer junto Dele e que O encontres caminhando com outros.

Não podemos olhar para os que estão à nossa volta sem nos preocuparmos com a sua felicidade. Não é esse o olhar de Jesus que queres imitar.

A quem podes, com simplicidade, apresentar Deus? Sim, tu! Aí não há mais ninguém.

A tua vida cristã terá muito disso. Mas alguma coisa tens de saber explicar! Para fortalecer a tua fé e para a propor a outros. Não basta o sentimento.

E para saber tens de estudar, perguntar, ler. Falta-te muita formação, sabes mais de futebol. Podes inventar coisas bonitas, ter muito jeito para pessoas, falar maravilhosamente. Mas sem conhecer o que crês, é em ti que tens fé.

Não tens de ser teólogo, mas não dês razão a quem diz que a fé é própria de gente sem instrução. Também é, mas tu podes tê-la. Escolhe um tema para começar. E deixa Deus maravilhar-te.

As regras também!

É que, iluminadas por Jesus e pela relação com Ele, acabarás por ter pena de não as cumprir. Não chega ler as instruções se o autor as quer explicar. Não chega compreender se são para amar.

Por isso, persegue essa atração. Precisas tanto de doutrina como de oração. De cabeça, como de coração. Passa tempo com Jesus, falando, ouvindo, pedindo, louvando. Conhecendo-O.

E já agora, se Deus é Deus, bem que pode fazer regras. Sorte a nossa que as tenha feito tão leves de cumprir. Por amor, nada pesa.

Não ligues ao que se diz aqui. Segue antes a Igreja!

E guarda este critério para outras ocasiões.

*

Entretanto, podes enviar-nos sugestões para novas publicações. São sempre interessantes, ainda que não publiquemos todas ou nem sempre como o sugeres. Obrigado.

Complicas, pedes contas, levantas problemas em qualquer apostolado, ligas demasiado ao "diz que disse". Tens muitas teorias e uma grande cultura religiosa, mas falas sem sentido sobrenatural.

Precisas de rezar mais. Alimentar a tua relação pessoal com Cristo, a sós com Ele na oração e nos sacramentos. Muito tempo, muito mais!

Assim já poderás usar toda essa cultura: quando vires com os olhos de Jesus.

Numa cultura relativista, num mundo desinteressado pela verdade, quem pára para refletir vê-se envolvido em trevas. Em vez de respostas, dão-lhe distrações; sensação em vez de pensamento.

Tu és luz para os outros. Capaz de indicar o caminho que leva à claridade. Já viste, que missão?

Não te envaideças: não tens luz própria! Levas contigo a luz de Jesus, entregue para ti e para os outros.

Nunca te escondas, nunca te desculpes, nunca te deixes apagar. Pensa nos que podem encontrar a verdade pela luz de Deus que veem em ti.

Muito pouco. Em tempos soubeste, mas achaste suficiente e deixaste de ler, ouvir, estudar, perguntar. Já não tens rotinas de formação e o pouco que sabes não chega.

Mas não te apercebes: a pouca formação enfraqueceu o teu amor a Cristo e distanciou-te da Igreja. És frio. O teu cristianismo é uma obrigação, não te sentes parte, não o defendes, tens vergonha de o explicar. Não conheces, não amas.

Tens de voltar a querer aprender, a aprofundar, a descobrir mais de Deus. Ao lado de outros com quem possas crescer.

Cristão adulto não é o que se independentiza, é o que pertence.

É assim tão importante pôr o centro da nossa fé neste mistério que não compreendemos? O que muda por sabermos que num só Deus há três pessoas?

É que o próprio Deus, por amor, quis revelar-nos a Sua intimidade. Disse-nos que Ele mesmo é comunhão e nós, Sua imagem, estamos chamados a dar-nos do mesmo modo. Uma trindade de amor que não cabe na nossa cabeça mas habita no nosso coração.

E o mistério não é obscuridade, é luz a mais, para uma inteligência que não abarca Deus, por Ele ser... Deus!

Ele quis que soubesses que é Pai, Filho e Espírito Santo. Procura hoje, dentro de ti, as três pessoas.

Usamos pouco o Catecismo da Igreja católica. Às vezes para encontrar argumentos de autoridade, mas mais para os outros do que para nós mesmos.

Pena! É um texto de muita profundidade e beleza, que melhoraria, não só a nossa doutrina, mas também a nossa piedade. Ajuda a rezar e dá-nos recursos para aprofundar na nossa fé.

É que já não são muitos os católicos que rezam. Nem os que conhecem com profundidade aquilo em que dizem acreditar.

*

Experimenta ler alguns pontos do Catecismo ou usá-lo como livro de oração. Está disponível online.

Não ensines doutrina que eles não ouvem. O terço não, eles não aguentam. Ainda são muito novos para se confessar. Missa? Não, eles não gostam. São miúdos pá! Mete jogos. E vídeos! Videos é fixe.

Pode dar uma trabalheira, mas é obviamente possível –e muito desejável!– que as crianças aprendam com gosto o que é importante aprender. Cristo atrai.

Talvez estejamos nós pouco deslumbrados ou queiramos ser, nós mesmos, a atração. Mas a prioridade da catequese não é entreter os meninos: é ensinar a verdade.

Que privilégio. E que responsabilidade!

Foram os pecados dos homens que pregaram Jesus à cruz.

–Não os meus, que são poucos, mas desses outros pecadores. Eu preocupo-me por não prejudicar ninguém: isso é que é um verdadeiro pecado. E a isso é que a Igreja devia estar atenta, sem se meter na vida privada de cada um...

Desculpa insistir: os pecados que pregaram Jesus à cruz foram os meus e os teus. O orgulho, a murmuração interior, os julgamentos, a indiferença a Cristo, o desprezo da Igreja, o desrespeito pelo que é divino, a inveja...

A dor pelos pecados é o caminho que o amor procura para se converter e não perder a alegria. Contentar-se com ser, aparentemente, boa pessoa é o mesmo que não ter fé. E não perceber o que aconteceu na Páscoa.

Quando criticas a moral católica, só falas de temas fraturantes. Dizes que a Igreja proíbe três ou quatro coisas e ficas satisfeito com considerações sentimentais sobre a tua liberdade e os teus direitos. Nunca te deste ao trabalho de perceber as razões do que a Igreja propõe.

É pena. Passas ao lado de uma proposta que daria luz à tua vida, de ideais belos que enchem as tuas ações de sentido, de uma chave completa para o que fazes neste mundo.

Aprofunda. Preferes a boa vida? Isso! A vida moral é precisamente a vida boa!

Tens sede.

Às vezes do mais básico, dos apetites mais simples, do prazer mais vulgar. Outras do que achas que te preenche: sede de sucesso, de aprovação, de vida social.

Ou sede de coisas boas. De uma oração intensa, de uma devoção vibrante. De uma certeza. De um amor sentido, tocado. De paz.

E nada te pode saciar.

Não tentes. Toda essa sede é, na verdade, sede de Deus. Em nada, nem ninguém, encontrarás o bálsamo da saciedade. E esse deserto, onde te encontras outra vez, é onde Deus te quer agora para que não deixes de O procurar.

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