Tema: Ordem

Não contavas com o que te aconteceu, nem com o que te disseram. Pensavas-te mais fiável, mais responsável.

E ficaste paralisado. De repente és muito pior, todos pensam mal de ti, o futuro tem pouca saída...

Calma! Não aconteceu nada. É bom perceber o que podes melhorar, é bom ter quem to diga com frontalidade. Ninguém ficou a pensar que eras uma pessoa diferente por teres feito um erro.

Não te precipites e não exageres: agarra o desafio, com tempo. É assim que se cresce.

Eu sei que tens boa intenção mas estás a levantar problemas que são muito pouco prováveis. Não desprezo as tuas preocupações mas não é razoável querer tudo tão agarrado.

É que nada avança! Só confias no teu modo de ver.

Ouve mais os outros, aceita as sensibilidades que diferem da tua e confia em quem não tem tantos medos.

E se uma coisa correr mal, dez correram bem. Com tanta complicação não se faria nenhuma.

Vives de eventos, momentos mais ou menos breves que te entusiasmam por Deus. E não transformas essas experiências em vida. Deus falou-te e queria continuar a conversa, mas tu só O ouves quando é intenso.

Que pena! Podias crescer na amizade com Ele.

Escreve o que te ajudou na oração, para poderes voltar a essa ideia. Concretiza em ações as luzes que tiveste para serem mais do que bons desejos. Se te impressionou o testemunho de alguém, pensa que coisas se aplicam à tua vida. Se saboreaste um tempo de maior relação com Deus, traz isso para o teu dia-a-dia. Se tocaste o amor de Jesus por ti, procura amar em resposta.

Não perguntes apenas se foi bom. Quanto ficou?

Aí onde estás. Até pode ser que tenhas tempo para assumir um encargo qualquer, na paróquia ou numa instituição. Mas não é preciso.

Um leigo empenhado é um simples leigo! O batismo já te deu vocação e missão. Tens a teu cargo a responsabilidade de transformar o mundo, amar e fazer amar Deus na família, no trabalho, em todo o lado.

A chamada à santidade não é privilégio de quem tem encargos eclesiais. Vive com sentido de missão e darás nova luz às batalhas de cada dia.

Não começas. Atrasas até já não valer a pena começar. Vais fazendo umas coisinhas. Preparas outra vez o que vais precisar. E começas amanhã.

E interrompes mal começaste. Já podes dizer que estás a fazer. Ficas mais tempo na interrupção que na tarefa. Dizes que foste interrompido, aproveitas, desejas que te interrompam.

Não terminas, tudo está começado, nunca feito. Não acabas sequer de perder tempo: a net é infinita, deixas-te levar. Não descansas. Do quê? Não te deitas, não desligas, não te levantas. Não começas...

Se não reagires, a vida vai dar-te uma cacetada...!

Que sabes fazer e fazes bem. Tens imenso talento e uma fome insaciável de ajudar os outros, de falar de Deus.

E metes-te, aceitas desafios, lanças projetos, estás em mil coisas boas. Todas são prioritárias, todas dão fruto, todas são exemplo do que se devia estar a fazer.

Medes os números. E não reparas que aquilo a que te comprometeste, antes desse entusiasmo, ficou por fazer. E que aquelas pessoas que contavam contigo estão sozinhas. E que aquele pequeno foco de luz, onde não brilhavas, se apagou.

Pela família, pelos amigos, pela paróquia... por Deus, estás disposto a largar algum desses projetos maravilhosos?

Como queres apresentar um Deus que é amor, se mostras precisamente o contrário?

Não estou a falar da tua fidelidade à doutrina. É o modo, a atitude: parece que só queres ter razão, vencer, humilhar.

Deus fez-se homem, a nossa fé é relação. Não basta conhecer Cristo, Ele pede o coração. Não basta falar Dele, tens de O mostrar.

Quando não és amável, não és credível. E a tua preocupação pelos outros é muito ineficaz. Se é que existe...

Tens muito que fazer e já fizeste imenso. Chegou uma parte difícil. Não tens nenhuma obrigação. Surgiram coisas com que não contavas. Já não vale a pena, não ia resultar. O resto da equipa fez pouco. O teu entusiasmo passou.

Tens várias razões para deixar o trabalho como está, desistir. Que alguém lhe pegue a partir daqui.

Mas não te comprometeste? Então acaba-o. É a tua palavra. Ou a pena de olhar para trás e ver tudo o que quase fizeste, sabendo que não fizeste nada.

Descobriste que Deus está na vida de cada dia. Que O encontras no trabalho, na família, nos amigos, no que gostas de fazer. E como mudou a tua oração!

Mas há lugares que não são para ti, ainda que sejam bons. E, sem te dares conta, queres forçar Deus a entrar neles contigo. Não consegues. A paz que ali sentes é só intelectual.

Não serão coisas para largar? Não será Deus a pedir-te que Lhe dês os teus tesouros? Que difícil!

Pede luz, pede graça. E escolhe o que é de Deus.

Toca o despertador e o mundo é outro. Não há pressa para as coisas boas do dia, o trabalho e os outros são irrelevantes, a aula seria desinteressante. Estás sem força, o mundo lá fora é muito frio, é rijo, há demasiada luz. Talvez dê para mais 10 minutos, talvez se esqueçam de ti, talvez estejas doente. Talvez não tenhas ouvido o toque. Alguém há de te chamar.

Apareces tarde, envergonhado e evitando olhares que parecem dizer: criança, preguiçoso, irresponsável. Uma vez dava para rir, um hábito...

Levanta-te com o despertador e oferece a Deus o teu dia. Claro que podes! Não uma vez, habitualmente.

É tão diferente começar o dia com uma vitória...

Não é só para padres, freiras e religiosos. É para cristãos! Ser casto não é abster-se de relações sexuais sem mais, mas viver a sexualidade de forma íntegra e autêntica. É olhar para as pessoas e não ver apenas corpos; é querer amá-las, não possuí-las.

Para os celibatários, isso significa abster-se de relações sexuais; entregar-se inteiramente a Deus e aos outros. Para os casados, isso supõe uma total abertura à vida; ou um celibato temporário, por ocasião de uma gravidez complicada, doença ou viagem, por exemplo. Para os restantes: a castidade é guardar-se em favor daquele/a que virá. Em todos os casos, a virtude implica renúncia ao mero apetite; é doação, entrega, missão.

Ser casto é amar, com o corpo.

Decidiste não fazer o mal. Não vais fugir com a secretária: és gente séria! Nem perder a cabeça - a reputação e o dinheiro - com a bebida, o jogo, ou outros vícios: és equilibrado!

Mas, à noite, quando ninguém vê, devoras um maço de cigarros, ou uma série, ou três pacotes de batatas fritas, ou mil perfis de uma rede social…

Ou és mais reservado ainda, tudo se passa na tua cabeça: os elogios, as críticas, o que gostavas de experimentar mas não te atreves… Manténs-te à distância, cortejando a tentação.

A bem dizer, já cedeste a ela! Com Deus, ou te entregas todo, ou não vale a pena entregares-te. Porque a meias não é entrega, é “pudor”. Decidiste não fazer o mal; faltou escolher fazer o bem.

Caíste. Deus ajudou-te a levantar e a ver como precisavas Dele. Respondeste, humilde, dizendo que não farias mais nada sem a Sua ajuda, que te sabias pequeno e incapaz de caminhar sozinho.

E que bom foi esse tempo de infância espiritual!

Mas a luta foi correndo bem e foste esquecendo a simplicidade. Voltou aquela sensação de que até eras capaz. Confiaste, orgulhoso, nos teus talentos e foste largando a mão de Deus. Caíste outra vez!

Volta a fazer-te pequeno. Mas, desta vez, não cresças.

Já viste a mensagem. Sem abrir a aplicação ninguém vê que viste. Se não respondes logo talvez fiquem com a ideia de que és muito ocupado. Ganhas tempo. Atrasas o esforço de ir consultar a agenda para poder responder. E tentas manter aquela ténue sensação de liberdade por não te comprometeres numa resposta.

Do lado de cá fica a dúvida: anda muito atarefado, talvez seja distraído, pode ter-se esquecido sem querer, está a tentar procurar buracos na agenda, perdeu o telemóvel, os jovens de hoje são assim...

Ou será que te estás a marimbar? Que desprezas quem ficou pendente da resposta?

É o que parece.

Que pena.

Mudavas processos, tiravas as pessoas, gastavas dinheiro, encontravas gente competente. Como se fosse tudo fácil, como se os que lá estão andassem todos a tentar o oposto.

Falta-te realismo. E falta-te caridade.

É claro que vale a pena melhorar, que deves apontar o que te parece errado. Mas serve de pouco o herói salvador que é incapaz de trabalhar com alguém. És tu, e não os outros, quem não quer fazer equipa.

Não mandes bitaites, colabora. Ou vai fazer a tua cena para outro lado.

Posts mais antigos