Tema: Conversão

Ouviste uma ideia para a tua vida cristã que te pareceu exagerada. Não é que discordes, mas já ninguém vive assim, são coisas de outros tempos, não é o mais importante.

E incomodou-te. Mas procuraste argumentos para defender o contrário e não os encontraste. A não ser a necessidade de compreensão e da intenção recta, que ninguém tinha posto em causa.

Talvez não seja uma ideia exagerada. Talvez seja só algo que não queres dar. Talvez seja o que Deus queria que ouvisses. Talvez faça sentido em quem vive por amor. Talvez seja para ti.

Não desprezes essas luzes.

(Vamos fazer uma pausa. Voltamos na Quaresma.)

Já não sabes voltar para trás e achas-te incapaz de seguir em frente. Estás perdido, sem remédio, sem esperança. Não te vês digno de perdão, quanto mais de amor.

Mas Jesus viu-te. E deixou o rebanho seguro para vir à tua procura.

Aí está, ao teu lado, como se só existisses tu. Tem todo o tempo do mundo, uma compreensão sem limites e um coração inteiro para te oferecer.

Deixa-te encontrar.

Estás chamado a ser sincero, mesmo que os outros mintam. A ser honesto, ainda que sejas o único. A ser generoso no meio de tanto egoísmo.

Esquece essa intuição infantil de que é justo pecar tanto como os outros! É a Deus que respondes. À verdade e ao bem.

Luta por ser santo, não por ficar acima da média.

Que estou aqui por minha conta, que sei tudo, que tenho muita força, que não preciso de ninguém.

Ou que é melhor não incomodar, que ninguém se importa, que ninguém quer ajudar.

E, mesmo que desse, por que razão quereria fazer tudo sozinho? Para ficar com o mérito só para mim? Para me destacar dos outros? Para ganhar a corrida?

Qual corrida? A que importa, corre-se em equipa.

Não sabes benzer-te. Fazes uns movimentos apressados à frente da cara com medo que alguém veja.

Mas os gestos têm significados. Devemos fazê-los com consciência, com a segurança de quem diz algo, com a pausa de quem tem devoção.

Faz o sinal da cruz sobre ti devagar, com um gesto amplo, repetindo as palavras que te colocam diante da Trindade.

Leva o joelho direito ao chão quando passares à frente do sacrário, mostrando a tua disposição de servir o Rei que ali se prendeu por amor.

Mostra carinho ao bater no peito, ao ajoelhar, ao fazer uma inclinação... Com simplicidade, sem espalhafato, mas recordando que estás diante de Deus.

Não pergunto se gostaste da atividade, se achaste a cerimónia bonita, se gostaste das pessoas. Só se gostas de estar com Deus.

Também não pergunto se te é útil, ou fácil, ou se tens muitas luzes. Só se gostas de estar.

Também não é sobre trabalhar para Deus, nem falar Dele, nem cantar. Só estar.

Gostas? Como quem gosta de estar com quem ama, ainda que seja em silêncio? Como quem descansa em alguém só pela sua presença?

Não sabes? Que mundo tens a descobrir!

O Jubileu é um tempo para trazer de volta.

Trazer o nosso coração de volta para Deus. Trazer a realidade de volta, sobre o orgulho. Trazer de volta o perdão, sobre as nossas birras. Recuperar a paz e a confiança. Voltar ao caminho.

E trazer de volta os que estão longe ou se afastaram, mostrando, com a nossa presença, o rosto misericordioso de Deus.

Veem-no em ti?

*

A diocese de Lisboa anunciou um bom momento para experimentar esse regresso e mostrar esse rosto. Segue o @vemver.lx

Falta-te audácia. Tentas sempre pequenino, seguro. Não acreditas nas pessoas, nem no trabalho bem feito, nem no poder de Deus. Vives a enterrar talentos, teus e de outros, para não os perder.

Ao teu lado, fazem grandes coisas os que não conhecem Cristo. Atraem gente, trabalham bem, mexem-se.

Faz como eles, aponta alto. Tens os mesmos meios. Tens motivos maiores. E tens Deus!

Como queres apresentar um Deus que é amor, se mostras precisamente o contrário?

Não estou a falar da tua fidelidade à doutrina. É o modo, a atitude: parece que só queres ter razão, vencer, humilhar.

Deus fez-se homem, a nossa fé é relação. Não basta conhecer Cristo, Ele pede o coração. Não basta falar Dele, tens de O mostrar.

Quando não és amável, não és credível. E a tua preocupação pelos outros é muito ineficaz. Se é que existe...

Ter uma vida cristã que vá além do "cumprir". Ser cristão por amor, pela verdade, em todos os momentos. Procurar Cristo nos sacramentos, na oração, nos outros.

Dar menos importância às minhas coisas, à minha imagem, à minha carreira, à minha saúde, ao meu futuro, à minha popularidade, ao meu conforto, à minha forma.

Ser responsável, não me queixar, não arranjar desculpas. Viver com sinceridade, sem fingir, dando a cara. Disposto a sofrer por Deus, pelos outros, pela justiça, pela verdade.

Estar alegre. Que é o resultado das anteriores.

Depois de encontrar o Menino e com uma especial luz de Deus, os magos voltaram a casa por outro caminho.

Ver Deus assim no presépio, partilhando a tua própria fragilidade, estendendo a mão para te aproximares sem medo, não te move a mudar de vida?

As decisões de entrega que vais adiando, as justificações interiores que procuras para não ter que mudar, os maus hábitos a que estás agarrado... O menino pede-os.

Deixa tudo aos Seus pés. Deixa a vida, para nunca mais a reclamar. Não importa que estejas longe: põe-te no caminho certo.

Agradeço que mo digas. Mas não chega. Ainda não percebeste que não estou a conseguir largar?

Dá-me razões, explica-me como se larga, diz-me a que me devo agarrar. Os argumentos de autoridade já os conheço bem. Não mandes: acompanha-me, anima-me, ajuda-me.

Eu conheço a lei de Deus. Queria conhecer agora o Seu amor. Poderei contar com a tua paciência?

Diante do sacrário, estou a sós com O amigo, por excelência. Mas… não sinto essa intimidade! Se for para desabafar ou pedir conselho, prefiro falar com alguém: um familiar, um amigo, até mesmo com um sacerdote.

Sabes porque não tens essa intimidade? Porque a vossa relação, a depender de ti, não existia. Deste tudo por garantido. Nunca te sentiste verdadeiramente impotente. Nem experimentaste pôr Deus em primeiro lugar e viver abandonado a uma única vontade.

Mesmo agora, és tu à força que queres progredir na vida interior. Desce do pedestal e faz um propósito: daqui em diante, não darás um único passo sem Deus. Nem que tenhas de dizer-Lhe - “Não Te ouço!”.

As regras também!

É que, iluminadas por Jesus e pela relação com Ele, acabarás por ter pena de não as cumprir. Não chega ler as instruções se o autor as quer explicar. Não chega compreender se são para amar.

Por isso, persegue essa atração. Precisas tanto de doutrina como de oração. De cabeça, como de coração. Passa tempo com Jesus, falando, ouvindo, pedindo, louvando. Conhecendo-O.

E já agora, se Deus é Deus, bem que pode fazer regras. Sorte a nossa que as tenha feito tão leves de cumprir. Por amor, nada pesa.

Não é um dia igual aos outros. É o do descanso da criação, é o da Ressurreição.

É o primeiro dia da semana, o da novidade radical que trouxe Cristo. É o dia em que celebramos a Eucaristia e nos lembramos de fazer da nossa vida uma Missa.

É o dia em que todos paramos para estar uns com os outros, em família, na nossa comunidade, em comunhão de intenções. Desde sempre.

É um dia para dedicar ao descanso e à oração, à leitura da bíblia, à relação com Deus e à missão.

Não dá jeito hoje? Para falhar um mandamento, não é razão suficiente.

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