Tema: Oração

As orações antes das refeições, as que rezas, desde pequeno, antes de dormir, as que dizes por hábito ao olhar uma imagem... não as desaproveites.

Faz um esforço por não as rezar mecanicamente. Repara no que dizes e tenta pôr o coração em Deus.

Não são rotinas. As palavras de sempre, com carinho, são frases novas.

Hoje acordei assim, com este feeling. Senti que este texto ia fazer mossa. Não sei porquê, mas tive essa certeza.

E aqui está ele. Não preciso de outras razões para o publicar porque não tem importância nenhuma: é só um post.

Mas lembra-te que, nas coisas sérias da vida, não basta sentir, nem atirar à sorte. Tens de pensar, pesar razões, pedir conselho, rezar e seguir a tua consciência. Mesmo que o sentimento te puxe para o outro lado.

Escravo do coração e do palpite, acabas sempre por escolher o que é intenso. Com a intensidade que te faz cego para a escolha certa. E ágil para fugir ao trabalho!

A avó deu graças a Deus pelo que viu que os netos faziam. Grandes encontros, concertos, jogos... Essas coisas que agora os jovens gostam. E os computadores e os instagrames.

Mas para ela não há como o terço. Foi Nossa Senhora que veio cá pedir e os pedidos da Mãe do Céu são para levar a sério!

Na tua piedade sofisticada não te esqueças da velha e simples receita: passar tempo a rezar. Não são coisas do antigamente, são as de sempre. As que sabemos que resultam.

Deus é, para ti, uma espécie de amuleto. Podes pedir-lhe tudo mas não Lhe ligas nada. Dá-te sorte mas não te dá deveres.

Pedes boas notas quando não estudaste, pedes azares para quem não gostas, pedes uma conquista quando estás comprometido. Até pedes pelo negócio em que queres fugir aos impostos!

E reclamas! Pelas doenças, pelas contrariedades, pelo mal que te acontece, naturalmente convencido que é injusto.

Esse, que tentas comprar, não é Deus. Deus é quem te criou e te chama com um amor infinito. Pede que lhe dês a vida inteira e quer dar-te muito mais do que tu Lhe pedes nos teus desejos egoístas.

Pede-Lhe fé.

Mas se rezas, talvez tenhas mais paz e alegria. Talvez entendas melhor o que Deus te pede, talvez aprendas a descobri-Lo no teu dia.

Talvez encontres mais ânimo nas dificuldades, luz para estar com os outros, razões para recomeçar.

Talvez te enerves menos e te controles mais. Talvez vivas com mais sentido e menos de impulsos. Talvez aceites a vontade de Deus para ti.

Talvez perdoes, talvez sorrias, talvez vivas para os outros.

Se rezas, acontecem coisas! Reza.

Não pergunto se gostaste da atividade, se achaste a cerimónia bonita, se gostaste das pessoas. Só se gostas de estar com Deus.

Também não pergunto se te é útil, ou fácil, ou se tens muitas luzes. Só se gostas de estar.

Também não é sobre trabalhar para Deus, nem falar Dele, nem cantar. Só estar.

Gostas? Como quem gosta de estar com quem ama, ainda que seja em silêncio? Como quem descansa em alguém só pela sua presença?

Não sabes? Que mundo tens a descobrir!

A oração hoje está a custar-te. Não tens nada para dizer e os textos nada te dizem.

Olhas para o relógio, respondes a uma mensagem que é urgente (ou tão breve que não conta como interrupção!), deixas-te vencer pelo sono, pensas nas tarefas do dia, apressas as palavras, desenhas no caderno (mas um símbolo religioso!), suspiras, vês as notificações, desistes.

Não desistas.

Insiste, leva essa oração, com esforço, até ao fim. Não deixes que a relação com Deus dependa dos teus apetites ou do consolo que te traz. Fica. Como um bom amigo.

Insistes nos planos, companhias e locais que puxam pelo pior de ti. São ocasiões de pecar e, normalmente, pecas.

Ninguém notava se faltasses, mas não o queres largar –não dás tanto a Deus!– porque achas que és tu quem deve crescer na fortaleza: outros vão e não caem.

E tens uma teoria bem construída sobre a proximidade a esses sítios onde Deus não está e onde, supostamente, O levarias. Mas acontece o contrário: é ali que esqueces Deus.

Deixa a teoria nas mãos Dele. Talvez seja preciso lá ir, mas talvez seja de outro modo. E talvez não sejas tu, que és forte para muita coisa, mas ali tremem-te as pernas. Pôr Deus em primeiro, tem consequências.

Até ficas envergonhado! Parece que a imaginação escolhe os momentos menos convenientes para ir buscar as coisas piores. Estás na Missa, a rezar, na companhia de alguém de quem gostas, a ouvir coisas importantes, em paz, em algo sério... e passam-te pela cabeça os pensamentos mais vis, ou mais baixos, ou mais feios.

Choca-te que, perante a beleza de Deus e dos outros, sejas capaz de olhar, com um mínimo de atração, para tudo o que é feio.

Não te preocupes. Tenta, com simplicidade, que a imaginação ceda ao teu domínio. E sem inquietação volta ao bom que tens diante.

E não ligues muito: tu não és o que te passa pela cabeça.

Quer mais estar contigo, que tu com Ele. Quer mais vir à tua alma, que tu recebê-Lo. Quer mais falar-te, que tu ouvi-Lo. Quer mais perdoar-te, que tu recomeçar. Quer mais que venças, que tu lutar.

Queres muito Deus? Ele ainda mais. Queres pouco? Deus nunca deixa de te procurar.

Mostra só um bocadinho de vontade e vais ver que Ele pode tudo.

Esse passo de entrega não é para ti. Dizes, humildemente, que não te achas à altura, que não tens o talento.

É mesmo isso? Ou é falta de generosidade? Saber que estás à altura mas não querer abraçar a entrega pelo esforço que implica? Não estar disposto a largar os teus tesouros? Esconder o talento com medo de ser visto a falhar?

Aqueles que se entregam não se acham à altura, mas sabem que Deus o está. E tentam.

Do momento ideal, da pessoa ideal, do trabalho ideal, do contexto ideal. Passou o tempo e, com ele, momentos, pessoas, trabalhos, contextos... reais.

Pensas bem mas és demasiado idealista. Complicas muito e fazes pouco.

Cede. Não será perfeito, mas será bom. Não será o ideal, mas acontecerá.

Não te dará segurança, mas Deus sim.

Diante do sacrário, estou a sós com O amigo, por excelência. Mas… não sinto essa intimidade! Se for para desabafar ou pedir conselho, prefiro falar com alguém: um familiar, um amigo, até mesmo com um sacerdote.

Sabes porque não tens essa intimidade? Porque a vossa relação, a depender de ti, não existia. Deste tudo por garantido. Nunca te sentiste verdadeiramente impotente. Nem experimentaste pôr Deus em primeiro lugar e viver abandonado a uma única vontade.

Mesmo agora, és tu à força que queres progredir na vida interior. Desce do pedestal e faz um propósito: daqui em diante, não darás um único passo sem Deus. Nem que tenhas de dizer-Lhe - “Não Te ouço!”.

Na vida espiritual, as coisas nem sempre acontecem como nas disciplinas científicas, em que nós vemos e agimos em conformidade. Muitas vezes, a luz para ver é simultânea à força para querer. Porque o nosso eu está metido ao barulho até mais não! Tem hábitos e inclinações, que custam despedir e, por isso, ofuscam a vista.

Isto dá que, para discernir a vontade de Deus, é preciso trabalhar antes de mais a disposição para acolhê-la. Fazer-se pequeno, minúsculo, ínfimo. Abrir mão das nossas seguranças. Pedir tudo. Confiar. Numa frase, repetir em confidência: “o que Tu quiseres, quando Tu quiseres, como Tu quiseres”. E então soará claramente o apelo divino.

As regras também!

É que, iluminadas por Jesus e pela relação com Ele, acabarás por ter pena de não as cumprir. Não chega ler as instruções se o autor as quer explicar. Não chega compreender se são para amar.

Por isso, persegue essa atração. Precisas tanto de doutrina como de oração. De cabeça, como de coração. Passa tempo com Jesus, falando, ouvindo, pedindo, louvando. Conhecendo-O.

E já agora, se Deus é Deus, bem que pode fazer regras. Sorte a nossa que as tenha feito tão leves de cumprir. Por amor, nada pesa.

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