Tema: Missa

Não digas aquelas frases disparatadas que tiram importância à Missa para a dar a outra coisa qualquer (que também não fazes, mas ninguém vê!).

Na Eucaristia está Deus em corpo e sangue que podes tocar. Jesus renova a Sua entrega na cruz por ti, em cada Missa, sobre o altar.

Está ali a razão da tua vida, a fonte da tua oração, o dono do teu coração, a raiz da vida interior. Onde te alimentas, onde encontras razões, onde és sempre ouvido.

Não se compreende um católico que não ama a Eucaristia: vive de quê?!

Parece que a Missa tem um intervalo. Depois da oração dos fiéis, o povo senta-se, o coro canta e tu conversas para o lado. Enquanto procuras uns trocos na carteira, fazes um comentário sobre quem lá está, dizes uma piada ou contas uma novidade que não pode esperar!

É o ofertório. O momento para colocares sobre o altar as tuas ofertas e intenções, o trabalho desse dia, as tuas dificuldades, a tua vida e, assim, te unires ao sacrifício de Jesus onde os teus pobres méritos ganham valor.

Não te distraias, não distraias os outros. Há um momento muito melhor para conversar: no fim. No ofertório, fala com Deus.

Não é um dia igual aos outros. É o do descanso da criação, é o da Ressurreição.

É o primeiro dia da semana, o da novidade radical que trouxe Cristo. É o dia em que celebramos a Eucaristia e nos lembramos de fazer da nossa vida uma Missa.

É o dia em que todos paramos para estar uns com os outros, em família, na nossa comunidade, em comunhão de intenções. Desde sempre.

É um dia para dedicar ao descanso e à oração, à leitura da bíblia, à relação com Deus e à missão.

Não dá jeito hoje? Para falhar um mandamento, não é razão suficiente.

Antes de começar, a tempo de desligares tudo e estares inteiro para o que vai acontecer, antes do padre entrar e o coro começar a cantar.

–Mas eu chego tarde a tudo!

Não! Chegas a horas ao que achas importante. É claro que podes chegar à Missa mais cedo.

Os cálculos de saber até quando podes chegar para ver se contou, ou a ideia de que o início é menos importante, são conversa de indiferente!

Se tivesses um pouco da fome que tem Jesus de estar contigo...

Se não acredito que é o corpo de Cristo, se fiz um pecado mortal e não recebi a absolvição de um padre, se não fiz jejum uma hora antes de comungar, se só o faço porque me estão a ver, então, não comungo.

Não é um direito meu, nem é algo que faça só porque me apetece.

Preparar-me para acolher este doce privilégio parece-me mais próximo do amor à Eucaristia que sou chamado a ter.

Às vezes não porque estás distraído. Ou porque queres ser discreto. Mas deves responder de modo que se ouça, que se note que afirmas o que crês, para quem está à tua volta e com eles.

E como não estás sozinho, tenta responder ao ritmo dos outros, uníssono, reforçando o sentido de pertença a essa comunidade.

Também não é preciso gritar! Por berrares as orações ao teu ritmo não pareces mais piedoso: pareces surdo!

Nenhum outro mandato foi assim obedecido.

Desde há 20 séculos, dia após dia, não encontramos nada melhor para celebrar um aniversário e pedir pelos mortos; agradecer as colheitas e preparar um ano; coroar um novo rei e admitir na igreja uma nova vida; pedir saúde e festejar vitórias; oferecer a vida a Deus e suplicar fidelidade; suportar pandemias e amparar os males da guerra. Em maravilhosas catedrais de pedra e nas grutas pobres de qualquer lugar; entre os poderosos e com os mais humildes; na multidão de uma vigília jovem e só no quarto de um velho sacerdote.

Impressiona o milagre, único na história, da inumerável multidão de homens que tomou, toma e tomará o corpo e o sangue de Cristo na Santa Missa.

Que não tenham vergonha de servir a Deus, nem medo de O defender. Que aprendam cedo a adorar a Eucaristia e a venerar a liturgia. Que nos ensinem a estar na Missa e sejam um testemunho no seu ambiente.

E se lhe chamam padre?!

Ele que responda como entender. Com orgulho, ironia ou secura. Demos-lhe ferramentas antes de lhe tirar a alva.

E se ele quiser ser padre?!

Queridos pais, será preciso proteger de Deus os filhos?

Não sei. E tu também não sabes. Mas gostamos de nos atravessar com teorias e análises, que dificilmente nos deixam no tom positivo de quem conta com Deus.

Uns dizem que é da doutrina, outros da falta dela; uns que é a moral, outros a liturgia; aqueles a tradição, estes o modernismo.

Talvez estejam vazias por minha causa. Ou por tua. Em vez de teorias, faz a tua parte e enche a Igreja com a tua presença, e com uma vida santa e apostólica. Que, como Cristo, arraste.

Igual à minha, com os textos e orações que a Igreja, do seu rico tesouro, preparou para nosso alimento. Conhece bem esse rito, para poderes participar com proveito do milagre da Eucaristia.

Mas, além disso, tu próprio podes trabalhar o teu modo de assistir à Missa: de que pedes perdão a Jesus? O que pões sobre o Altar no ofertório? Por quem rezas na oração universal? Que vivos e defuntos recordas ao Senhor? Como te preparas para comungar? Como agradeces?

Pensa no que te ajuda a rezar com atenção e cuida com esmero dos pormenores. Como um apaixonado.

Às vezes ouvimos expressões que demonstram muito pouco conhecimento do que diz a Igreja, da moral católica e das verdades de fé elementares.

Sempre que podes, explica-o. Por muito pouco interessados que estejam em Deus, todos agradecem informação correta: além de aprender, evitam a vergonha de dizer disparates.

Outras vezes, nós próprios esquecemos a primeira catequese e falamos das coisas de Deus como quem não as conhece, ou não tem fé.

É que sem empenho pessoal na própria formação, corremos o risco de seguir outro Jesus qualquer. E –pior!– de enganar os outros.

Tens que aprender a ser cristão.

Por obrigação, dificilmente falarás de Deus. Por amor, dificilmente te calarão.

Mais do que com ideias e estratégias, darás a conhecer Cristo com a naturalidade do teu testemunho. Falarás sem te pedirem, com a alegria e o entusiasmo de um apaixonado.

E esse amor cresce pelo tempo que passas na companhia de Jesus. Ele ficou na Eucaristia para te mostrar como tem sede de estar contigo. Escolhe estar com Ele.

***

Dedicas um tempo diário à oração? Tentas fazê-la, sempre que podes, numa igreja, diante do sacrário?

Tens devoção eucarística? Preparas-te para comungar, fomentando o desejo de intimidade com Cristo?

Quem te vê numa igreja (à conversa, ao telefone, nas redes sociais, a falar alto...), não consegue perceber o que tem de especial aquele espaço.

Quem te vê assistir à Missa (a fazer comentários, distraído, a dormir...), não entende porque lá estás cada domingo.

Quem te vê a rezar... mas alguém te vê a rezar?!

Eu sei que estás à vontade com Jesus. Tão à vontade que te esqueces com Quem estás. E acabas por não O ver.

No sacrário está Cristo realmente presente. Diante Dele porta-te como com um bom amigo, um confidente, um irmão... que é Deus! É claro que faz diferença!

Hoje, dia do Corpo de Deus, adoramos a Eucaristia nas nossas ruas. No meio do ruído, confusão, trânsito, trabalho, gente... passa Jesus e ajoelham-se os homens. E com eles se ajoelha a cidade, o mundo, a criação, prestando a devida homenagem ao criador de todas as coisas.

Espantado? É que ali, discreto e vulnerável, num pedaço de pão, está Deus. Não um símbolo, não uma imagem, não um sinal. Deus.

Hoje pede a Jesus que aumente a tua fé na Sua presença real na Eucaristia. E que essa fé mude o modo como te aproximas e recebes o Senhor, para O levares depois aos que ainda estão incrédulos.

Hoje Jesus é preso.

Antes, o Rei lavou os pés aos discípulos, o Inocente quis conquistar o traidor, o Amor deixou-nos o mandamento novo, o Omnipotente prendeu-se num pedaço de pão.

Assim é Deus. Não é uma noite espantosa?!

*

Encontra hoje um momento para abrir o evangelho de João no capítulo 13. Tudo fez e disse por ti.

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