Tema: Missa

Só para recordar que o facto de estares de férias não é de todo, nunca, razão para faltares à Missa.

É que a razão para ires é de todo, e sempre, maior.

Nem percebo que o discutas. Agora que tens tempo e cabeça para estar com Cristo realmente presente no altar, inventas outras prioridades?

Guarda algum deste tempo para meditar no que acontece em cada Missa. E participa com o amor e a devoção da primeira, única e última vez.

A presença de Jesus na Eucaristia é real. Não é um símbolo, não é um sentimento, não é uma força. É uma pessoa, corpo e sangue. É o mesmo Cristo que viveu entre nós e por nós morreu e ressuscitou. É Deus realmente presente no mundo.

A participação na Missa, a piedade eucarística, a adoração que a fé da Igreja presta à hóstia consagrada, não são pesos para um católico. São a fonte da sua vida cristã. O centro, a força, o alimento, o consolo.

Pede a Deus que aumente a tua fé. Cai de joelhos diante de Jesus feito alimento. E traz contigo esse outro católico que passa à frente do sacrário como se não estivesse lá ninguém.

Sobre o qual desce Jesus, em cada Eucaristia, com o Seu corpo, sangue, alma e divindade. Onde Deus está verdadeiramente presente (não é um símbolo), para estar connosco como um de nós. Onde se renova o sacrifício da Cruz e Jesus se entrega no teu lugar.

A unidade dos cristãos, a caridade entre todos, não vem só do bom ambiente. A força que sentiste vem do próprio Cristo. Unidos pela Eucaristia seremos inquebráveis.

A dor, o desprezo, a vergonha, a solidão. Tudo o que temes e de que foges. Tudo aceitou Jesus, amando-nos até ao fim.

Assim está no sacrário, entregue em cada gota, inteiro numa migalha, sem defesas, sem barreiras. Disponível para beijar os teus pés, sujos dos maus caminhos. Aceitando cada beijo teu, que te sabes capaz de O trair.

E é Deus.

Como O tratas na Eucaristia?

Vai começar o tríduo pascal. Ainda tens tempo de olhar para os textos da liturgia destes dias: a Missa da Ceia do Senhor, onde instituiu a Eucaristia e o sacerdócio, antes de ser preso; a celebração da Paixão, em que padece por ti; a grande festa da Páscoa em que venceu definitivamente a morte.

Repara no que se diz e faz. O que ouves em cada Missa tem aqui a sua fonte. A liturgia, oração de toda a Igreja, torna de novo presente o acontecimento central da tua redenção. Celebras a razão por que te chamas cristão, recordas por que tens tanta necessidade da Missa, reafirmas os motivos da tua serena alegria.

Recolhe-te. Vai começar.

Espera que a Missa acabe. Espera que saia o sacerdote paramentado que foi Cristo no altar. As compras e o almoço podem esperar um bocadinho.

E lembra-te que acabaste de comungar. Ainda tens Jesus dentro de ti durante uns minutos. O que lhe costumas dizer? Como aproveitas esse tempo de intimidade? Como agradeces?

Não despaches Deus, que veio ao teu encontro sem pressa.

Não digas aquelas frases disparatadas que tiram importância à Missa para a dar a outra coisa qualquer (que também não fazes, mas ninguém vê!).

Na Eucaristia está Deus em corpo e sangue que podes tocar. Jesus renova a Sua entrega na cruz por ti, em cada Missa, sobre o altar.

Está ali a razão da tua vida, a fonte da tua oração, o dono do teu coração, a raiz da vida interior. Onde te alimentas, onde encontras razões, onde és sempre ouvido.

Não se compreende um católico que não ama a Eucaristia: vive de quê?!

Parece que a Missa tem um intervalo. Depois da oração dos fiéis, o povo senta-se, o coro canta e tu conversas para o lado. Enquanto procuras uns trocos na carteira, fazes um comentário sobre quem lá está, dizes uma piada ou contas uma novidade que não pode esperar!

É o ofertório. O momento para colocares sobre o altar as tuas ofertas e intenções, o trabalho desse dia, as tuas dificuldades, a tua vida e, assim, te unires ao sacrifício de Jesus onde os teus pobres méritos ganham valor.

Não te distraias, não distraias os outros. Há um momento muito melhor para conversar: no fim. No ofertório, fala com Deus.

Não é um dia igual aos outros. É o do descanso da criação, é o da Ressurreição.

É o primeiro dia da semana, o da novidade radical que trouxe Cristo. É o dia em que celebramos a Eucaristia e nos lembramos de fazer da nossa vida uma Missa.

É o dia em que todos paramos para estar uns com os outros, em família, na nossa comunidade, em comunhão de intenções. Desde sempre.

É um dia para dedicar ao descanso e à oração, à leitura da bíblia, à relação com Deus e à missão.

Não dá jeito hoje? Para falhar um mandamento, não é razão suficiente.

Antes de começar, a tempo de desligares tudo e estares inteiro para o que vai acontecer, antes do padre entrar e o coro começar a cantar.

–Mas eu chego tarde a tudo!

Não! Chegas a horas ao que achas importante. É claro que podes chegar à Missa mais cedo.

Os cálculos de saber até quando podes chegar para ver se contou, ou a ideia de que o início é menos importante, são conversa de indiferente!

Se tivesses um pouco da fome que tem Jesus de estar contigo...

Se não acredito que é o corpo de Cristo, se fiz um pecado mortal e não recebi a absolvição de um padre, se não fiz jejum uma hora antes de comungar, se só o faço porque me estão a ver, então, não comungo.

Não é um direito meu, nem é algo que faça só porque me apetece.

Preparar-me para acolher este doce privilégio parece-me mais próximo do amor à Eucaristia que sou chamado a ter.

Às vezes não porque estás distraído. Ou porque queres ser discreto. Mas deves responder de modo que se ouça, que se note que afirmas o que crês, para quem está à tua volta e com eles.

E como não estás sozinho, tenta responder ao ritmo dos outros, uníssono, reforçando o sentido de pertença a essa comunidade.

Também não é preciso gritar! Por berrares as orações ao teu ritmo não pareces mais piedoso: pareces surdo!

Nenhum outro mandato foi assim obedecido.

Desde há 20 séculos, dia após dia, não encontramos nada melhor para celebrar um aniversário e pedir pelos mortos; agradecer as colheitas e preparar um ano; coroar um novo rei e admitir na igreja uma nova vida; pedir saúde e festejar vitórias; oferecer a vida a Deus e suplicar fidelidade; suportar pandemias e amparar os males da guerra. Em maravilhosas catedrais de pedra e nas grutas pobres de qualquer lugar; entre os poderosos e com os mais humildes; na multidão de uma vigília jovem e só no quarto de um velho sacerdote.

Impressiona o milagre, único na história, da inumerável multidão de homens que tomou, toma e tomará o corpo e o sangue de Cristo na Santa Missa.

Que não tenham vergonha de servir a Deus, nem medo de O defender. Que aprendam cedo a adorar a Eucaristia e a venerar a liturgia. Que nos ensinem a estar na Missa e sejam um testemunho no seu ambiente.

E se lhe chamam padre?!

Ele que responda como entender. Com orgulho, ironia ou secura. Demos-lhe ferramentas antes de lhe tirar a alva.

E se ele quiser ser padre?!

Queridos pais, será preciso proteger de Deus os filhos?

Não sei. E tu também não sabes. Mas gostamos de nos atravessar com teorias e análises, que dificilmente nos deixam no tom positivo de quem conta com Deus.

Uns dizem que é da doutrina, outros da falta dela; uns que é a moral, outros a liturgia; aqueles a tradição, estes o modernismo.

Talvez estejam vazias por minha causa. Ou por tua. Em vez de teorias, faz a tua parte e enche a Igreja com a tua presença, e com uma vida santa e apostólica. Que, como Cristo, arraste.

Posts mais antigos