Estão todos a andar no mesmo sentido, mas a tua consciência insiste que deves ir ao contrário.
Ninguém te diz nada. Só uns encontrões irritados, risos, olhares trocistas. Ao longe alguém berra: agarrem esse idiota, que ainda arrasta alguém com ele!
E insistes, com uma coragem que não é tua, guiado por essa voz interior. Ninguém te apoia, mas uma criança pega na tua mão e pede-te ajuda. Aumenta o peso, as críticas sobem de tom. Tens de a guiar.
Outra se agarra, ferida. E outra, doente. Carregas agora um pequeno grupo que o medo escondia da multidão.
Já se vêem, já contam. E já se ouvem, naquele êxodo, uns murmúrios frustrados: estes sabem para onde vão.
Preso a Cristo e puxando outros, não tens de fazer o que todos fazem.