Tema: Tentação

Acabaram de se conhecer, chegaste agora a esse grupo, és novo na empresa... Pode chocar e não há contexto.

Um mês depois ainda ninguém sabe da tua fé. Ainda estás a formar uma imagem. Desconfias que são ferozmente contra a Igreja.

Passou um ano e não és capaz de dizer a ninguém que és católico. Era assumir escolhas muito mal vistas. E agora seria estranho descobri-lo ao fim de tanto tempo. Pareceria que o estiveste a esconder.

É porque escondeste. Se amasses Jesus, agias simplesmente com naturalidade, sem máscaras. Se não te queimas, já não será preciso dizer que és católico: acabarás por deixar de o ser.

Perdes tanto tempo de descanso por causa do telemóvel! Não queres perder as novidades, o que se comentou, o que alguém talvez ainda te queira dizer, a sensação de estar atualizado...

E não dormes.

Mesmo que sejam coisas importantes, não perdes nada se só as vires no dia seguinte. Desliga o telemóvel, descansa.

Viver livre vale mais que saber novidades.

Usas demasiado esta desculpa. Não sabes, não tens jeito, os outros fazem melhor. Sobretudo para tarefas que não queres fazer, que não dão gosto. Ou que não são próprias da tua condição!

Quem sabe, aprendeu. Também podes aprender.

Não é preciso um curso para mudar uma lâmpada, nem para limpar a travessa que caiu inteirinha no chão, nem para fazer um telefonema.

Talvez nunca aprendas a cantar! Talvez não sejas mestre onde não tens jeitinho nenhum. Mas podes, e deves, fazer muito mais: não te falta talento, falta generosidade.

Não tens, por vezes, a sensação de estar a embrutecer? Ficas horas a consumir conteúdos inúteis. Dá para rir, passar o tempo, aprender umas curiosidades... mas não fica nada.

E vais perdendo a vontade de ler, tens dificuldade em formar opinião, preferes mudar de tema quando a conversa é séria, dizes coisas com piada mas nunca interessantes, tens menos recursos para pensar, explicas-te mal.

Não deixes que as distrações sejam o que te forma. Com disciplina, tira-as do tempo de trabalho, vai mais fundo no que tens entre mãos, estuda, interessa-te.

Podes mais, não sejas básico.

Jesus, com um enorme desejo de estar contigo, comecei a minha oração. E aos poucos minutos desse diálogo, de que tanto precisava, a melga fez um voo rasante no meu ouvido.

Não duvido que me escutasses mas, quanto à melga, não fizeste nada! Voltou uma e outra vez, boicotando a minha oração e desafiando a minha serenidade.

E a minha alma vagueou indecisa entre os mais belos suspiros de amor e o frio instinto assassino.

A oração sobreviveu. A melga não.

Às vezes, Deus surpreende-nos com momentos bons, de uma alegria e paz sobrenaturais. Mas normalmente é preciso lutar, lidar com a circunstância, dar a volta, adaptar-se. É a vida!

É verdade!

Vai a meio. Já fizeste alguma coisa? O teu propósito ainda está de pé?

Não tens de contar sacrifícios, nem um número de boas ações. Mas tens de insistir no esforço por te aproximares mais de Cristo.

É um tempo de graça que Ele, Jesus, te quer conceder. Recomeça hoje a luta, sem paranóias mas com generosidade. Bem disposto a acolher a proximidade que Deus tanto deseja mostrar-te.

Dizes com facilidade que devemos odiar o pecado e amar o pecador. Até o procuras viver: denuncias o erro e amas quem erra... desde que não seja quem cometeu o pecado que denunciaste!

É como se dissesses: odeia este pecado e ama os que cometem outros! Mas este tipo...!

Aqueles que fazem o mal também devem encontrar espaço no teu coração e ser objeto da tua caridade. Até encontrarem o coração de Cristo onde cabem todos, todos... esses mesmo: todos!

Insistes nos planos, companhias e locais que puxam pelo pior de ti. São ocasiões de pecar e, normalmente, pecas.

Ninguém notava se faltasses, mas não o queres largar –não dás tanto a Deus!– porque achas que és tu quem deve crescer na fortaleza: outros vão e não caem.

E tens uma teoria bem construída sobre a proximidade a esses sítios onde Deus não está e onde, supostamente, O levarias. Mas acontece o contrário: é ali que esqueces Deus.

Deixa a teoria nas mãos Dele. Talvez seja preciso lá ir, mas talvez seja de outro modo. E talvez não sejas tu, que és forte para muita coisa, mas ali tremem-te as pernas. Pôr Deus em primeiro, tem consequências.

E não foi a avó que me encheu o prato. Fui eu que me lancei, ávido, sobre as iguarias.

Estava ótimo! E eu nem me preocupo muito com a linha. Mas fiquei naquele estado de balão flutuante, cheio, sem força, sem vontade para nada, sem atenção aos outros. Com o embaraço de ter entregue tantas horas de um dia à comida.

É demais. Por muito bom que estivesse. Não há dignidade na intemperança.

A cultura que fez da luxúria a principal virtude inventou o pecado de não se ser suficientemente atraente.

Mas podes ter a figura mais esbelta e ser profundamente guloso. É que o erro está em procurar a salvação pelo corpo: a satisfação destemperada de comida e bebida; ou a paranóia do requinte que centra a vida, o tempo e o dinheiro em comer. Ou ainda a doença da forma perfeita que faz de calorias e exercícios as tuas principais conquistas.

Dá ao corpo o que ele precisa. Um pouco mais para festejar. Mas não chames virtude à vaidade, nem ao vício, nem a essa obsessão com valores nutricionais que te faz viver tão colado à terra.

Esta pergunta anda sempre, baixinho, na tua cabeça. Quando estás com outros é o que vais medindo, quando chegas a um evento é o que te preocupa, quando acaba, o que avalias.

Sem ser demasiado clara, é a pergunta que te deixa triste ou contente. Não te larga. Mas também não a enfrentas.

Precisas de te sentir querido. O que não precisas é de duvidar tanto de que o és. Ou se deixaste de o ser. Ter o afeto dos outros não é senti-lo continuamente.

Mas, sobretudo, és querido por Deus, com um afeto mais seguro e fiel do que qualquer outro dos que andas a mendigar.

Tranquiliza-te. E pensa mais nos outros.

E em princípio és fraquinho, com asneiras infantis e quedas grandes. Tens pouca resistência à tentação, cedes assim que custa, sofres pouco por Jesus.

Confia mais na Sua força, sabendo que também tu tens de escolher Deus. E essa escolha exige um esforço.

Por isso, deves evitar as situações que são uma tentação para ti, só porque o são. Não é nada de errado, os outros estão tranquilos, toda a gente o faz... mas tu cais. Então, sê prudente e não vás. Não é melhor isso do que trair o Senhor?

Amas Deus? Mostra lá.

Às vezes é Deus que o diz e tens razão para confiar. Outras, és tu que o dizes, confiando demasiado em ti próprio, na tua força e recursos.

Nem sempre a imprudência acaba em grandes quedas. Mas todas as grandes quedas passam por essa excessiva confiança em si próprio.

Não te chegues tanto à tentação. Gostavas de estar onde estão todos, fazendo o que todos fazem, com um grande domínio de ti mesmo.... que não tens.

Ama pouco quem brinca com a traição.

Olhar nos olhos, dar opinião, convencer, escutar, corar, consolar, dar conselhos, contar histórias, expressar-se, partilhar, aprender...

Sem recorrer ao vídeo quando o tema arrefece, sem perguntar ao Google quando surge uma dúvida, sem registar em fotografia, sem ler as notificações que chegam de fora... sem interrupções.

Coisas do passado para experimentar entre amigos e família. E sempre na oração.

Jantar de amigos. Na conversa, serena, foram aparecendo nomes de outros que não estavam presentes.

Sobre os que havia coisas boas a contar, saíram elogios e uma alegria sincera, quase orgulhosa, de sermos também seus amigos.

Sobre os que havia novidades menos felizes houve... preocupação, compreensão e sugestões para os tentar ajudar. Com o mesmo orgulho de sermos amigos seus.

Dos teus amigos não falas mal nas costas.

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