Tema: Tentação

Dizes com facilidade que devemos odiar o pecado e amar o pecador. Até o procuras viver: denuncias o erro e amas quem erra... desde que não seja quem cometeu o pecado que denunciaste!

É como se dissesses: odeia este pecado e ama os que cometem outros! Mas este tipo...!

Aqueles que fazem o mal também devem encontrar espaço no teu coração e ser objeto da tua caridade. Até encontrarem o coração de Cristo onde cabem todos, todos... esses mesmo: todos!

Insistes nos planos, companhias e locais que puxam pelo pior de ti. São ocasiões de pecar e, normalmente, pecas.

Ninguém notava se faltasses, mas não o queres largar –não dás tanto a Deus!– porque achas que és tu quem deve crescer na fortaleza: outros vão e não caem.

E tens uma teoria bem construída sobre a proximidade a esses sítios onde Deus não está e onde, supostamente, O levarias. Mas acontece o contrário: é ali que esqueces Deus.

Deixa a teoria nas mãos Dele. Talvez seja preciso lá ir, mas talvez seja de outro modo. E talvez não sejas tu, que és forte para muita coisa, mas ali tremem-te as pernas. Pôr Deus em primeiro, tem consequências.

E não foi a avó que me encheu o prato. Fui eu que me lancei, ávido, sobre as iguarias.

Estava ótimo! E eu nem me preocupo muito com a linha. Mas fiquei naquele estado de balão flutuante, cheio, sem força, sem vontade para nada, sem atenção aos outros. Com o embaraço de ter entregue tantas horas de um dia à comida.

É demais. Por muito bom que estivesse. Não há dignidade na intemperança.

A cultura que fez da luxúria a principal virtude inventou o pecado de não se ser suficientemente atraente.

Mas podes ter a figura mais esbelta e ser profundamente guloso. É que o erro está em procurar a salvação pelo corpo: a satisfação destemperada de comida e bebida; ou a paranóia do requinte que centra a vida, o tempo e o dinheiro em comer. Ou ainda a doença da forma perfeita que faz de calorias e exercícios as tuas principais conquistas.

Dá ao corpo o que ele precisa. Um pouco mais para festejar. Mas não chames virtude à vaidade, nem ao vício, nem a essa obsessão com valores nutricionais que te faz viver tão colado à terra.

Esta pergunta anda sempre, baixinho, na tua cabeça. Quando estás com outros é o que vais medindo, quando chegas a um evento é o que te preocupa, quando acaba, o que avalias.

Sem ser demasiado clara, é a pergunta que te deixa triste ou contente. Não te larga. Mas também não a enfrentas.

Precisas de te sentir querido. O que não precisas é de duvidar tanto de que o és. Ou se deixaste de o ser. Ter o afeto dos outros não é senti-lo continuamente.

Mas, sobretudo, és querido por Deus, com um afeto mais seguro e fiel do que qualquer outro dos que andas a mendigar.

Tranquiliza-te. E pensa mais nos outros.

E em princípio és fraquinho, com asneiras infantis e quedas grandes. Tens pouca resistência à tentação, cedes assim que custa, sofres pouco por Jesus.

Confia mais na Sua força, sabendo que também tu tens de escolher Deus. E essa escolha exige um esforço.

Por isso, deves evitar as situações que são uma tentação para ti, só porque o são. Não é nada de errado, os outros estão tranquilos, toda a gente o faz... mas tu cais. Então, sê prudente e não vás. Não é melhor isso do que trair o Senhor?

Amas Deus? Mostra lá.

Às vezes é Deus que o diz e tens razão para confiar. Outras, és tu que o dizes, confiando demasiado em ti próprio, na tua força e recursos.

Nem sempre a imprudência acaba em grandes quedas. Mas todas as grandes quedas passam por essa excessiva confiança em si próprio.

Não te chegues tanto à tentação. Gostavas de estar onde estão todos, fazendo o que todos fazem, com um grande domínio de ti mesmo.... que não tens.

Ama pouco quem brinca com a traição.

Olhar nos olhos, dar opinião, convencer, escutar, corar, consolar, dar conselhos, contar histórias, expressar-se, partilhar, aprender...

Sem recorrer ao vídeo quando o tema arrefece, sem perguntar ao Google quando surge uma dúvida, sem registar em fotografia, sem ler as notificações que chegam de fora... sem interrupções.

Coisas do passado para experimentar entre amigos e família. E sempre na oração.

Jantar de amigos. Na conversa, serena, foram aparecendo nomes de outros que não estavam presentes.

Sobre os que havia coisas boas a contar, saíram elogios e uma alegria sincera, quase orgulhosa, de sermos também seus amigos.

Sobre os que havia novidades menos felizes houve... preocupação, compreensão e sugestões para os tentar ajudar. Com o mesmo orgulho de sermos amigos seus.

Dos teus amigos não falas mal nas costas.

Quando ninguém vê, quanto pensas em ti? E nos outros? Quanto te vês ao espelho? Quão modesto és? Quanto tempo perdes a ver futilidades que te envergonham? Quanto perdes a formar-te? Quanto cedes à sensualidade? Quanto rezas?

Esperas pelas ocasiões em que podes dar espaço ao pior de ti? Como um alívio dos momentos em que representas para os que estão à tua volta?

O Deus que amas olha-te em todos os momentos. E espera de ti que queiras ser sempre o mesmo, porque vives sempre para Ele.

Não larga. Não deixa, por um momento, de ver-te, de ouvir-te, de olhar-te com ternura.

Mas às vezes exige, puxa por ti. E permite que não O sintas tão perto.

É que te vais esquecendo Dele, encostas-te, desleixas-te. E precisas de um abanão.

É Deus que te chama quando perdes o consolo, quando surge a aridez, quando te sentes só, quando a vida se complica. Ele não te largou: tu é que tinhas largado, por Ele, tudo isso. Lembras-te?

Não gostas de esperar.

É aquela intuição de que o teu tempo vale mais do que os momentos iniciais em que a coisa não arranca. Ou a vergonha de chegar primeiro e ficar sozinho, com o risco de acharem que não tens amigos.

Então, fazes os outros esperar!

Em vez disso, podes escolher dar o teu tempo ou passar a vergonha em vez deles. Atrasar-te para que outros carreguem o que te custa, não é só irritante, é egoísta.

Se ninguém fala para explicar, cairemos nessa armadilha. Se não falamos para pedir ajuda, não sairemos dela.

A pornografia contamina o nosso olhar sobre os outros, desfaz a nossa alegria, engana a nossa autoestima, despreza a nossa relação com Deus, destrói a nossa vontade.

Tristes e insaciáveis, continuamos a permitir a exploração de alguém, o comércio dos corpos, a destruição das famílias.

A boa notícia? Podemos agir, pedir ajuda e ajudar. Recuperar a liberdade. Falando.

*

@da.oclique nasceu para isso. Segue. Mesmo sem precisar de ajuda, ajudas alguém.

Uma mentirinha não o chocava, era assunto sem importância. E aprendeu a esconder, a disfarçar.

Melhorou a arte de dar a entender e parecer o que não era. É que ficar bem atrai muito.

Com o hábito, a insensibilidade. E a vida tornou-se um jogo: como tirar vantagens, ficar à frente, passar por cima?

Voltar atrás? Já não dava. Vivia num mundo confortável como ator principal.

E esse mundo começou a desmoronar-se.

Suspeito aqui, descoberto ali, já só queria fugir, evitar conhecidos.

Tem medo do desprezo, dos olhares acusadores, um pavor constante de ser denunciado. Envergonhado, acabou sozinho.

Não mintas. É virar-se contra si próprio.

Tinhas tempo de manhã mas quiseste ficar na cama até à última. Tinhas tempo ao fim do dia mas preferiste ficar agarrado ao ecrã.

Já se notava quando tentavas disfarçar, mas agora cedeste de vez à fraqueza. Desculpa, vives inapresentável.

Não, não estás desprendido da imagem: estás preguiçoso e desleixado. E, sobretudo, indiferente aos outros. Ou achas agradáveis esse odor e untuosidade?!

Banho!

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