Tema: Jesus Cristo

Não vem da tua fortaleza, nem das idas ao ginásio, nem da inconsciência.

Precisas de coragem para as lutas que arrastas há tanto tempo, para a falta de entrega, para a falta de vontade, para a moleza, para a preguiça, para a vaidade, para a falta de compromisso.

Essa coragem é diferente da temeridade, é um dom consciente de ti próprio, que só por amor podes fazer.

Como mudarias se passasses mais tempo com Cristo, na oração e na eucaristia, deixando-te contagiar pelo Seu amor infinito.

Ouviste ontem o Papa a falar de Jesus? E viste como O olhava, em adoração ao Santíssimo Sacramento? E como a multidão se uniu em silêncio para adorar?

A amizade com Cristo transforma a nossa vida e as nossas amizades, para as tornar verdadeiras. Transformará o mundo se nos damos aos outros.

Volta às palavras do Papa Leão na vigília do Jubileu dos jovens. E se tentásses mesmo viver assim unidos a Cristo?

É assim a tua vida cristã. Não consegues ver uma boa iniciativa sem ir atrás, tens um pezinho em várias espiritualidades, até dizes o que tiras desta e daquela.

Mas gostas de todas. Em todo o lado tiveste momentos tocantes, que partilhas com paixão.

Várias vezes, parece que te entusiasmas com um caminho. Mas não. Ainda estava fresco quando experimentaste outro, que te roubou o sentimento.

Sabes muito, vais a tudo, conheces todos. Dás graças a Deus por receber tanto. Mas olha, o que já deste?

A presença de Jesus na Eucaristia é real. Não é um símbolo, não é um sentimento, não é uma força. É uma pessoa, corpo e sangue. É o mesmo Cristo que viveu entre nós e por nós morreu e ressuscitou. É Deus realmente presente no mundo.

A participação na Missa, a piedade eucarística, a adoração que a fé da Igreja presta à hóstia consagrada, não são pesos para um católico. São a fonte da sua vida cristã. O centro, a força, o alimento, o consolo.

Pede a Deus que aumente a tua fé. Cai de joelhos diante de Jesus feito alimento. E traz contigo esse outro católico que passa à frente do sacrário como se não estivesse lá ninguém.

Hoje, Jesus deixa-Se levar pelas ruas da cidade, acompanhado pela nossa devoção e pelo olhar admirado de quem não O conhece.

Amanhã, Jesus continua a deixar-Se encontrar mas espera que O leves tu à cidade, ao trabalho, à família, aos amigos.

Enche-te de Deus. Procura-O no sacrário, faz-Lhe companhia. Arranja tempo para estar presente.

E enche de Deus o mundo, com o exemplo e com a palavra. Sem vergonha, sem medo. Como Ele, por amor.

O bom pastor vê que lhe falta uma ovelha. Sou eu. Põe-se a caminho e rapidamente me encontra. Fico contente: estou onde quero e o pastor veio cá ter.

Mas diz-me que temos de ir embora! Que o sítio não é bom e que me posso magoar. Eu reclamo: acabei de chegar e estou cansado. Mas, por isso, acabo por deixar que me leve aos ombros.

Porque não pude ficar ali? Às vezes penso que Deus é bom pastor porque vem ter comigo onde eu quero estar. Como se não houvesse um rebanho, uma casa, um caminho. Como se importasse mais seguir-me do que a Ele.

E aos Seus ombros, por um caminho mais belo que o da minha fuga, percebo que andar com Ele é bem melhor. Por muito atrativos que fossem os atalhos.

Jesus, estou sempre a pesar a minha imagem. A estragar as coisas boas que me dás, por medi-las com o orgulho, contando os elogios, pedindo que me amem.

E não quero perder os Teus dons por não ser agradecido, por não reconhecer que sou um incapaz e que Tu podes tudo.

Muda-me. Que eu viva por Ti, sem contaminar, com o amor próprio, a Tua glória. Que viva na Tua sombra, alegrando-me com o que Te alegra, procurando o que Te dá gosto.

E que fuja das coisas aparentemente boas que me afastam de Ti.

Os cristãos acabam de celebrar a Páscoa, a entrega de Jesus por cada um.

Houve um homem, que tu não conheces, que deu a sua vida por ti. Que te amou tudo o que se pode amar, sem que tu o pedisses.

Esse homem está vivo e continua a querer que o conheças, a querer explicar-te porque se entregou por ti, a querer mostrar-te a felicidade que encontras por seres amado.

Não tens curiosidade? Procura-O.

Hoje muda tudo. É a diferença entre uma vida sem saída e um caminho amplo e luminoso até ao que mais desejamos.

Vencendo a morte, Jesus abriu as portas do céu que tínhamos fechado ao virar as costas a Deus. Ressuscitando, curou todas as misérias, quebrou todas as barreiras, derrubou todos os obstáculos. Entre ti e a vida eterna já só resta a liberdade.

Deus existe. Jesus vive. Deixa-O viver em ti.

Para sempre.

Jesus tomou o teu lugar. Prendeu-Se por todas as vezes que fugiste, sofreu por todas as vezes que O negaste, amou como não foste capaz de amar, morreu para poderes voltar à vida.

Olha para a cruz. À brutalidade do pecado, Deus respondeu com o perdão. Pagou por ti cada infidelidade.

E como te queixas do que te custa!

Aceita essa dor, ama-a. Consola-te com Jesus que passou por tudo isso. Consola-O a Ele, que pagou o teu resgate.

A dor, o desprezo, a vergonha, a solidão. Tudo o que temes e de que foges. Tudo aceitou Jesus, amando-nos até ao fim.

Assim está no sacrário, entregue em cada gota, inteiro numa migalha, sem defesas, sem barreiras. Disponível para beijar os teus pés, sujos dos maus caminhos. Aceitando cada beijo teu, que te sabes capaz de O trair.

E é Deus.

Como O tratas na Eucaristia?

É deslumbrante a doutrina de Jesus. Continua a ser uma novidade e um desafio, para hoje e em todos os tempos.

Mas não podes ficar pela doutrina. Tens de chegar ao próprio Cristo, conhecê-Lo, amá-Lo, identificar-te com Ele.

E tens, nos Evangelhos, o texto que O põe diante de ti. Lê-o diariamente. Procura Jesus, entre simples e grandes, mestre, médico. Imagina o Seu rosto e gestos, o lugar e as atitudes dos outros.

Não só foi real, como ainda o é. Esse mesmo Jesus está vivo e espera-te na Eucaristia.

Porque Aquele que amas está sozinho, no sacrário, desejoso da tua companhia.

Porque é a atitude verdadeira da criatura diante do seu criador.

Porque é onde está a força que te falta e a paz que procuras.

Porque queres responder com amor ao Amor que por ti se deixou prender.

Passas lá hoje um bocadinho?

De entre todas as opções, massacrados por sedutores, enganados por promessas e sob a pressão do que se diz, a nossa escolha é Cristo.

Queremos jogar bem mas conhecemos as nossas fragilidades. Com o Mestre sabemos que seremos vitoriosos.

Agora é preparar jogo a jogo e lutar como se fosse o último. As bocas dos treinadores de bancada só nos fazem mais fortes. A graça e a comunhão dos santos acompanham-nos em cada campo.

Há muito que conquistar, com ou sem nota artística. Vamos!

Por entre a multidão, escondido na jóia feita pelas nossas mãos toscas, passa Jesus, sob a aparência do pão.

Vulnerável, sem outra guarda que a do povo que O acompanha, passa Deus para que O toquemos.

Despojado, pobre, acessível, passa o Rei dos reis sob o olhar atónito de uma cidade que pergunta: que reino é este?

Explicas-lhes?

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