Tema: Santidade

Vale a pena saíres de ti próprio para viver em Deus. Vale pena alargar o coração para caberem todos. Vale a pena ter ideais grandes e lutar por eles. Vale a pena aceitar a debilidade e desconfiar da própria força. Vale a pena largar apegos e ser livre com pouco. Vale a pena dar sem pedir nada em troca. Vale a pena ser fiel até ao fim por muito áspero que seja o caminho.

Se queres ser santo, terás de ser generoso. Mas está ao teu alcance. E é o único que vale a pena.

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Link na bio para o caderno com os posts do Jubileu dos Jovens e as palavras completas do Papa Leão.

Pões esperança na saúde, no bem estar, na vida social, na segurança, na fama. E não encontras paz.

Talvez tenhas procurado Jesus pelo mesmo motivo, esperando um milagre, a resolução dos problemas, o fim das dores. E nada.

É que Ele sabe que nem isso te preenche. Estás feito para mais, estás feito para Deus e não descansarás sem O encontrar.

Então terás a paz que nenhuma realidade criada te deu. E que nenhuma realidade criada te poderá tirar. Antes da felicidade, procura o sentido. Serás feliz se O encontrares.

Há 2 anos, o Papa Francisco esteve em Lisboa para te dizer que foste chamado porque és amado. Para substituíres os medos pelos sonhos e correres o risco de amar.

A intensidade do momento passou, é uma memória grata. Mas a conversão que o Senhor te pediu ainda está em processo. Ou não?

Recordando os tempos em que Deus te tocou de um modo especial, serás agradecido. Sendo agradecido, quererás lutar. E vencer, e mudar.

De todos, escolheu-te a ti.

Sim, contigo.

Contigo que nem ligas muito ao Papa, que até estás cansado do grupo de jovens, que rezas pouco. Contigo que te esforças e só vês fragilidade, que já fizeste grandes asneiras, que te achas muito pouco capaz.

"Aspirai a coisas grandes, à santidade. Não vos contenteis com menos. Então vereis crescer todos os dias, em vós e à vossa volta, a luz do evangelho."

O Papa acredita que podes ser santo. Queres ser?

Ainda tens a vida pela frente. Por isso mesmo, entrega-a. Para quê atrasar mais? Não terás mais luz, nem mais condições, nem preparação.

São os melhores anos da tua vida? Isso! Entrega-os. Porquê guardá-los para ti se podem dar tanto fruto, se podem trazer tanta alegria?

Ainda tens medo. Ainda bem! Assim agarras-te ao Único que que pode sustentar a tua entrega.

Jesus precisa de apaixonados que queiram ser santos. Mas é agora.

A fazer o mesmo que tu, com o mesmo horário e salário, que leva almoço de casa, tem rotinas semelhantes e uma garrafa de água igual.

Mas parece-te especialmente contente. Se lhe perguntas, diz que é filho de Deus. Também o vês atento a todos: diz que está ali para servir.

Não terá o mesmo chefe? Sim, mas também fala de Outro. Um que paga melhor!

Esse bom trabalhador, que luta por ser santo, podes ser tu. Tens tudo o que é preciso.

E neste "só que" entra tudo o que lhes falta para serem iguais a ti, viverem o teu espírito, terem as tuas prioridades, fazerem como tu fazes.

Mas a comunhão na Igreja não é uniformidade. Os caminhos de Deus são tão ricos quanto Ele mesmo.

Vive o carisma que Deus escolheu para ti com amor, exigência e fidelidade. Esforça-te com alegria para que os outros possam fazer o mesmo. E tira da cabeça a mais leve sombra de competição.

Estás chamado a ser sincero, mesmo que os outros mintam. A ser honesto, ainda que sejas o único. A ser generoso no meio de tanto egoísmo.

Esquece essa intuição infantil de que é justo pecar tanto como os outros! É a Deus que respondes. À verdade e ao bem.

Luta por ser santo, não por ficar acima da média.

Agarra-te a qualquer coisa! Faz o teu caminho...

Esta não é uma ideia cristã! Não está cada um por si, abandonado aos caprichos do acaso. Há um Deus que te quer junto Dele e que O encontres caminhando com outros.

Não podemos olhar para os que estão à nossa volta sem nos preocuparmos com a sua felicidade. Não é esse o olhar de Jesus que queres imitar.

A quem podes, com simplicidade, apresentar Deus? Sim, tu! Aí não há mais ninguém.

...a meta importa tudo!

A vida eterna é o que nos dá esperança nesta vida, é a única razão para esperar. Sem ela perde sentido a nossa sede de justiça e o desejo de infinito.

Mas essa felicidade eterna alcança-se por um caminho feliz na terra. A sede de Deus é a mesma e podemos saborear já um pouco dessa glória.

Pensa no céu. Pensa no prémio. É bom desejar Deus.

É bonita a tua preferência pelos mais fracos, a consideração que tens por quem sofreu ou sofre, a comoção que sentes pela dor e pela doença.

Mas chega a ser tão sentimental que lhes nega a autonomia, tão boazinha que lhes despreza a liberdade.

Ajuda no que podes, ajudando-os a dar o que podem. Não é preciso –nem bom!– desculpar tudo e tudo permitir. Há lutas a travar, talentos por descobrir, pecados a corrigir.

O caminho é diferente. Mas a proposta ainda é a santidade.

Não há coisas más, só exageros. Faz o que quiseres desde que não abuses, esse é o verdadeiro bem: ninguém se irrita com proibições, todos são equilibrados porque moderam a voracidade. Só não te podes passar.

Para aconselhar é o ideal: nunca sugeres cortar, só reduzir. Para ouvir, melhor ainda: não tens nada que mudar. Para todos, é a vitória do parecer sobre o ser.

É fácil disfarçar a fraqueza com a caridade, trocar a verdade pela convivência pacífica. Quase pedes a Deus que te ame com moderação.

Mas a santidade é exigente. Como foi a Cruz.

O que escolhes? Aproveitar os prazeres da vida ou renunciar aos teus desejos? Viver livremente ou sob as regras arbitrárias de uns homens de preto? Confiar no que podes comprovar ou deixar-te levar por fábulas? Viver feliz nesta terra ou sonhar com um além que não existe?

Tens medo destas perguntas?! Então dirige-as aos santos. A resposta é enérgica!

Quem experimentou alguma vez que a felicidade está nos prazeres?! Numa vida sem regras ou nas promessas do que é sensível?! Pobre felicidade a que ficou aquém da paz, que trocou a verdade pelo que tinha ao alcance da mão, que desprezou a liberdade prendendo-a no charco das suas vistas curtas. Que nunca soube quanto se pode chegar a amar quando se é amado sem medida!

Eras tu quem devia fazer as perguntas! Porquê escolher uma vida estreita quando podes conhecer o único que sabe fazer-te feliz? Não o deus pequenino que confundes com regras e invenções. O Deus que te criou, que está perto de ti, que te ama e te quer junto a Si para sempre.

Com a multidão dos felizes Santos que hoje celebramos, é hora de gritar a cada um: vem ver.

Bonito, forte, com saúde. Modelo de trabalho e de vida social. Rijo e meigo. Eloquente e bom ouvinte. Entregue a cada um mas desprendido de tudo. Bem disposto, engraçado. Inteligente, cheio de doutrina e experiente na oração. Sempre reto, transparente. De família estável e futuro seguro. Educado, oportuno, atento. Piedoso, simples. Audaz e responsável. Cheio de amigos. Cheio de admiradores. Humilde...

Mas Deus não ama tipos ideais. Ama-te a ti.

O teu exemplo são os santos. Não o católico de catálogo, perfeitinho, que não existe.

* E com quem elas não vão casar!

Tinha que ser agora, era o momento ideal. Fizeste planos, estavas entusiasmado com a expectativa... E não deu. Vai demorar tempo.

Deste muitas horas, empenhaste-te como em nenhum outro projeto, tinhas uma certa segurança de que daria... E falhou. Precisava de mais dedicação.

Estavas a lutar bem, um longo período sem quedas. Animado com a ideia de deixar um problema para trás... E caíste. É preciso voltar ao início.

Estás farto de lhe dizer, já conversaste com calma, já lhe deste razões... E ele não muda. Ainda não consegue.

Com paciência verás muito mais frutos: maduros e colhidos nos tempos de Deus. Espera.

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