Tema: Vocação

Conheço a alegria das almas entregues a Deus, o seu sorriso habitual e a esperança que os move.

Conheço os frutos que essas almas operam em outras, o bem que fazem, a multidão de gente que ajudam.

Conheço a escassez de vidas entregues, a falta que fazem os que se dedicam a Deus com radicalidade.

Conheço a promessa de Jesus a quem deixa tudo para O seguir.

Conheço-me e sei que não tenho qualidades. E conheço Deus, que as tem.

Por que não eu?

O tempo vai passando. Sabes, em teoria, que está tudo bem: mais vale esperar por um namoro com futuro do que precipitar o resto da vida num entusiasmo.

Mas às vezes ficas triste. Tens medo de não encontrar ninguém ou, pior, que ninguém te ligue. Perguntas se devias ter aproveitado aquela oportunidade. E tens um bocadinho de vergonha por aparecer sempre só.

Não percas a paz. E enquanto esperas por esse amor que fará florescer o melhor de ti, pensa que agora é para Jesus o teu coração inteiro.

Talvez Ele te peça para o guardares assim toda a vida. Ou que te mexas um bocadinho mais para encontrar essa pessoa. Que não será ideal, nem perfeita. Nem tu!

Tens bons desejos de entrega. Vês um caminho luminoso, cheio de frutos e alegrias, que podes percorrer se aceitares esse convite.

Mas tens medo. Tantos à tua volta que começaram com o mesmo entusiasmo e saíram do caminho. Ou outros para quem os passos se fizeram tão pesados que a jornada parece devastadora.

E procuras segurança, certezas, garantias de que a decisão é certa. Que não vais mudar, que ninguém mudará, que nada muda.

Só Deus não muda. E é Ele quem te pede, pessoalmente, o que sabe que podes dar. Não tens a vocação dos outros: não a copies, não a julgues, não a temas. Jesus, que te chama, também está nos momentos duros do caminho.

Podes.

Esse passo de entrega não é para ti. Dizes, humildemente, que não te achas à altura, que não tens o talento.

É mesmo isso? Ou é falta de generosidade? Saber que estás à altura mas não querer abraçar a entrega pelo esforço que implica? Não estar disposto a largar os teus tesouros? Esconder o talento com medo de ser visto a falhar?

Aqueles que se entregam não se acham à altura, mas sabem que Deus o está. E tentam.

Sabes lá o que a vida te reserva! E se daqui a uns anos mudas de ideias?

Agora tens é que conhecer, experimentar, construir seguranças. Estas decisões não se tomam assim de um dia para o outro. É preciso ponderação e amadurecimento.

O que é que tu sabes da vida? Ainda tens trinta anos!

...

Mas Deus dizia-lhe ao ouvido: nunca estarás preparado. Eu, que te chamo, estou.

Não chega ter um sonho.

Há histórias lindas de gente que venceu obstáculos gigantes em busca do que um dia idealizou. E conseguiu alcançá-lo.

E há histórias tristes por contar de quem viveu obstinado com um sonho inalcançável. Não tinha o talento, prejudicou o futuro, desprezou quem estava à volta e acabou sem nada. E continuam a dizer-lhe que o sonho é para seguir...

Lança-te em aventuras, tenta fazer o que gostas, agarra audazmente as oportunidades. Mas pergunta antes qual é a vontade de Deus, quem precisa de ti, onde podes render mais. Se, além disso, for o teu sonho, melhor.

Melhor ainda se for o sonho de Deus.

Para pessoas muito rijas ou meio angelicais ou bichos do mato?! Não.

O celibato é para quem Deus chama. Como é Ele quem as sustenta, não se detém a escolher pessoas pela sua qualidade: escolhe todos por amor com uma missão particular.

Não olhes para o celibato como o caminho mais difícil: não tem por que ser. Talvez o vejas como mera renúncia e o casamento como um mar de rosas. Mas os dois são escolhas de amor, positivas e desafiantes, para pessoas especiais. Como tu para Deus.

Ama todas as vocações, também as celibatárias. Precisamos delas, não por terem tempo, mas por terem coração. Por graça, basta-lhes Jesus.

Santos casamenteiros,

Atendei a minha prece.

Para mim, um bom partido

É como vós e assim parece.

Concedei-me a vossa paz,

Que não a inquietação:

Mais vale esperar um pouco

Do que ceder à pressão.

E dai-me aquela coragem

Que não me faça corar

Quando, além de pedir,

Me decidir a procurar!

Hoje é o domingo do Bom Pastor, dia de oração pelas vocações. Pela tua também, achada ou por descobrir, mas num caminho em que Deus te pede uma entrega total.

Não rezamos apenas para que se encham conventos e seminários. Rezamos para que todos sejam generosos a responder ao convite de Deus, seja qual for. Para que todos entendam esse convite pessoal como um caminho de entrega generosa, com uma meta clara e troços desafiantes. Para que todos sejam fiéis à vocação que abraçaram, ainda que pareçam hoje menos firmes os seus passos.

Rezamos por ti. Tens um convite de Deus por responder ou uma resposta para cumprir. Não sonhes com outros: é da generosidade que nasce a alegria.

Talvez O procures também. Talvez tenhas ao teu lado quem deseje que O encontres.

Mas Deus criou-te, amou-te desde o início, pensou fazer-te feliz como não podes imaginar, e tem uma enorme sede que lhe respondas livremente.

Procurou-te primeiro e espera-te, quer precisar de ti. Deixa-te encontrar.

Pedro fala com o coração: eu darei a vida por Ti!

Não sabe o que diz. E Jesus, carinhoso, recorda-lhe a sua fraqueza.

Mas Pedro sabe o que quer. E, se lhe falta ainda ancorar-se na fortaleza de Cristo, não deixa de ser modelo para ti o ímpeto da sua entrega.

Decide-te de uma vez a dar prioridade às coisas de Deus. Empenha-te nelas como as que mais valem.

Dá a vida. Jesus tem planos para ela.

Há opiniões incompatíveis com ser-se católico. Isto é óbvio. O contrário seria esvaziar a fé de conteúdo.

Mas quando alguém se atreve a defender um destes pontos e diz que "um católico deve...", surge rápido o comentário: quem és tu para dizer quem é católico? Serás dono da verdade?

A pergunta soa bem, mas não tem interesse. Pergunta antes se a afirmação toca naquilo que afirma a fé que recebeste.

Dono da verdade é a própria verdade, Cristo. O mesmo que deixou à Igreja a tarefa de a guardar. Ela pode dizer o que é, ou não é, católico. E diz.

Na vida, existe muito de opinável, mas a verdade é só uma. Se alguém quiser seguir Cristo por outro caminho, pode tentar. Esperamos, a todo o momento, que venha dar a este.

Não digo que não. Se algo vale uma festa é o teu casamento!

Mas não exageres: não tem de ser faraónica! É bem mais importante o teu compromisso diante de Deus.

E não te enganes: esperar pelo dinheiro pode ser uma desculpa para atrasar a entrega. Ou a vaidade a querer que te admirem. Ou o medo a procurar outras seguranças.

Casar sem as ter? Um bonito modo de afirmar que amas. E que confias em Deus.

Conheces cada vez mais católicos exemplares. Têm ideias maravilhosas, dizem coisas bonitas e com imenso talento. Mexem contigo e fazem-te querer abraçar mil projetos em favor de Deus e da Igreja.

Menos aquele em que estás.

Que te faça sentir bem, não quer dizer que é bom. Que seja bom, não quer dizer que é bom para ti. Que seja bom para ti, não quer dizer que é bom para todos.

Pede luz e segue o teu caminho. Deus pensou nele para ti e em ti nele. É que esse desejo, de estar em tudo o que é bom, é de quem quer ser visto!

Não tens de ser um génio. Não tens de encontrar uma oportunidade única. Não tens de descobrir nada.

Não tens de ser melhor que os outros. Não tens de ser famoso. Não tens de provocar inveja.

Tens de trabalhar, com constância e vencendo a preguiça.

E serás o que podes ser e Deus quer.

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