Tema: Humildade

Tens um grande desejo de estar onde estão todos. E lá vais!

Mas passas o tempo em tensão, com a sensação contínua de que te estão a observar, a avaliar, a medir. Tens medo de não estar à altura, de não encaixar. Encenas gestos e atitudes de quem está à vontade, desesperas por momentos se ficas só.

Complicas-te porque tens medo que te façam o que fazes tu aos outros: julgas, comparas, competes. Para quê?

Procura amizades pessoais e profundas. Procura oportunidades de servir os outros. E já não terás tempo para andar obcecado por ti.

Tens boa vontade, queres saber mais, crescer na oração e na amizade com Jesus. Mas é um caminho difícil e nem sabes por onde começar.

Pede ajuda a alguém. Que te explique e que te anime, que te ajude a dar o que podes dar, a descobrir e fazer render os teus talentos.

Só com o teu próprio balanço, fazes demasiados esforços para voltar a parar pouco depois. Procura alguém experiente, que te veja de fora, que te avise dos perigos que ainda desconheces e que tenha graça de Deus para te aconselhar.

E que ouça os teus desabafos, encaixe as tuas fúrias, seja consolo na tristeza e uma companhia constante de oração. Que diferença faz ter direção espiritual!

Começam por ser palavras educadas, para se tornarem as próprias de alguém atento e delicado. Consciente da presença dos outros e da sua importância e valor. Mas também são expressões que devem encher o teu diálogo com Deus.

Que acorram depressa aos teus lábios pelas inúmeras maravilhas de que és objeto cada dia. E por tantas falhas e faltas de correspondência ao Senhor. Sim, são muitas: as pequenas coisas, em que já não reparas, com que Deus te sustenta e facilita o caminho. E os pequenos erros, que desprezas mas podes mudar, como é próprio de quem ama.

Obrigado e desculpa. Repete-o muitas vezes e verás como há mais para agradecer e para pedir perdão. É natural, pões-te no sítio certo: uma criança frágil nos braços de um Pai omnipotente.

É o que dizes quando acrescentas lixo a essas gavetas cheias de coisas que nunca vais usar. E ocupas espaço, carregas pesos, arrastas bugigangas que só recordas ao pensar que as podes deitar fora.

Assim é a tua entrega. Não queres largar tudo, ainda não confias em Deus. E com a saída fácil do "não exagerar", vais guardando umas esperanças sensuais, compras confortos caros e desnecessários, mantens o mesmo apego à tua imagem, não chegas a queimar-te por Cristo.

Guardas para ti o que pode vir a dar jeito... se Deus falhar.

Tonto! Deus não falha. E quer dar-te a uma vida nova, mas tu continuas agarrado ao chão...

Luta por amor. Não lutes para cumprir ou para estar à altura.

Pede mais ajuda, confia mais em quem te conhece. Não faz mal que descubram as tuas fraquezas.

Não te compares com os outros. Não interessa ser o melhor.

Confia mais na oração e na graça de Deus. Não confies nas tuas forças.

Sem humildade vais dar uns trambolhões valentes. Com humildade talvez dês também, mas aprendes a levantar-te.

Eu percebo. É bom trazer sangue novo, abanar os que estão encostados e desiludidos há muito tempo, contrariar o "sempre se fez assim".

Mas não és a última bolacha do pacote!

Tenta melhorar o que se pode melhorar, sem desvalorizar a opinião e trabalho de quem veio antes de ti. Ouve, respeita processos, reza.

E não desprezes a eficácia de conseguir trabalhar com unidade.

Andas cansado. Acumulas tensões e imprevistos que te deixam pouco espaço interior e a sensação de ser esmagado, posto à prova. E no fundo, não o achas justo.

Não deixas de rezar, mas adotaste uma postura cínica diante de Deus. Já não procuras o Seu conforto e luz, desprezas a piedade simples, rezas entre a resignação e o amuo. Sem o dizer, esperas que Ele resolva a situação se quer que Lhe ligues.

Mas a vontade de Deus não é só para aguentar: podes amar o que Ele te envia. E confiar que Deus o vive contigo. Se fosses mais pequeno, já tinhas percebido.

Não te ponhas à frente, não fales bem de ti, não te consideres melhor que ninguém.

Não te faças indispensável, não queiras ficar com tudo, não reclames louvores.

Não te olhes tanto ao espelho, não controles os seguidores, não dependas da imagem.

Não escolhas primeiro, deixa o melhor para outros, faz sem que agradeçam.

Desaparece, vive para os outros, dá o teu lugar. É o que faz Deus por ti. Ele chega.

Mas foste diligente, tentaste o que podias, fizeste como pensavas que sairía bem.

É uma oportunidade para conheceres os teus limites, a tua verdadeira capacidade. Não tens aquele talento ou não o tens como gostarias (ainda, pelo menos).

Custa! Há outros que também já sabem o que não fazes bem. Mas é um passo essencial para poderes crescer: seria ingénuo pensares que tens talentos para tudo.

És imperfeito. Nós sabemos. Era uma pena que não soubesses.

A tua vida era segura. Boa no que fazias, feliz nos resultados, alegre entre amigos, serena em casa, risonha no futuro.

Mas cresceste. Aceitaste desafios e assumiste responsabilidades, entregaste o coração e deste o teu tempo, escolheste amar. E perdeste o controlo.

O futuro é incerto, as pessoas imprevisíveis. Duvidas de ti, da tua saúde, da tua virtude. Não dispões do teu tempo, tens medo de falhar.

Mas Deus é o mesmo. E, para teres segurança, pede que te abandones. Faz o que podes. Ele fará o que sabe.

Ouviste uma ideia para a tua vida cristã que te pareceu exagerada. Não é que discordes, mas já ninguém vive assim, são coisas de outros tempos, não é o mais importante.

E incomodou-te. Mas procuraste argumentos para defender o contrário e não os encontraste. A não ser a necessidade de compreensão e da intenção recta, que ninguém tinha posto em causa.

Talvez não seja uma ideia exagerada. Talvez seja só algo que não queres dar. Talvez seja o que Deus queria que ouvisses. Talvez faça sentido em quem vive por amor. Talvez seja para ti.

Não desprezes essas luzes.

(Vamos fazer uma pausa. Voltamos na Quaresma.)

Podias conhecer com outra profundidade a vida espiritual, estudar pausadamente aquele tema doutrinal difícil, aprender com a experiência dos santos que tiveram as mesmas lutas que tu, abrir a imaginação ao ler a vida de Jesus.

Mas não lês. Talvez te consigas desenrascar com uns vídeos e umas conversas. Mas vais muito mais lentamente.

Lê, esforça-te, força-o. Vence a preguiça e a frivolidade.

És chamado a muito mais. Se não lês, não sei se algum o dia o vais perceber.

Tens um no trabalho. Conhece-lo bem! Aquele jeito... a ti não te engana. Fazes questão de prevenir todos contra ele. Contas uma história triste, referes os principais defeitos. Tentas contrariar sempre que ele fala, mandas abaixo porque ele fez. Se fez mal mostras a todos, se fez bem desacreditas.

Os que te ouvem já dão o desconto: é uma obsessão tua. Talvez tenha havido alguma coisa ao início, mas agora é só uma mania, um modo de ver viciado, uma ferida que manténs aberta porque te consola. Não vais encontrar apoio, nem razão: não a tens, ele não é o demónio e não tem nada contra ti. Até parece melhor que tu.

Humilha-te, admite que é egoísmo e aprende a ver com olhos novos: os do perdão. E do bom senso.

Que sabes fazer e fazes bem. Tens imenso talento e uma fome insaciável de ajudar os outros, de falar de Deus.

E metes-te, aceitas desafios, lanças projetos, estás em mil coisas boas. Todas são prioritárias, todas dão fruto, todas são exemplo do que se devia estar a fazer.

Medes os números. E não reparas que aquilo a que te comprometeste, antes desse entusiasmo, ficou por fazer. E que aquelas pessoas que contavam contigo estão sozinhas. E que aquele pequeno foco de luz, onde não brilhavas, se apagou.

Pela família, pelos amigos, pela paróquia... por Deus, estás disposto a largar algum desses projetos maravilhosos?

Por muito que nos esforcemos, São José continua a ser uma presença discreta. O pai do Verbo não nos deixou uma palavra. Escolheu escutar, acolher e cumprir a vontade de Deus.

De bom grado o ouviríamos: os seus conselhos, o relato dos momentos únicos passados com os seus (e nossos) maiores amores.

Mas encontramo-lo silencioso, escondido. Deixando Jesus brilhar e Maria refletir a mesma luz.

Bom modelo para os teus sonhos de grandeza.

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