Tema: Natal

No nosso orgulho, quisemos ser como Deus. Tomar o Seu lugar, colocar-nos no centro, decidir o bem e o mal.

Mas Deus, mais rebelde que os Seus filhos, quis ser como nós. E assumiu a nossa condição para nos resgatar.

Hoje sim, que queiras ser como Deus. Mas como O vês na gruta de Belém, pequeno, pobre, humilde. Feito tudo para todos, nascido para servir.

Que maravilha!

Quando hoje, celebrando o nascimento de Jesus, trocares presentes com outros, lembra-te dos que Deus te ofereceu.

Fez para ti o sol, a lua, a luz e as estrelas. A imensidão do universo que desconheces, a beleza do mundo que te rodeia. Para ti todas as montanhas e o mar inteiro. As cores e a música. A formosura de cada rosto e o calor de um abraço.

E como tem um coração infinito, ofereceu-Se Ele mesmo, indefeso, no teu colo. O que tens para Lhe dar?

Não está nos teus feitos, em destacares-te entre os outros, nas tuas ações magníficas, nos elogios.

A única glória é a que dura sempre.

Esconde-te, diminui, passa despercebido. Descobre Deus dentro de ti e deixa-te estar com Ele.

Neste Natal, não esperes mais nada. Espera só Jesus.

Falta pouco para o bebé nascer. Vamos de viagem, com Maria e José, para preparar o grande dia.

Até ao Natal, tenta trazer na cabeça e no coração o milagre que se aproxima. A confissão prepara a tua alma para estares mais leve na viagem e para que Jesus ali possa descansar. O diálogo com Nossa Senhora enche-te do desejo de entrega ao Rei que vai nascer. E ao sentir as dificuldades do caminho podes subir aos ombros de São José.

Espera! Menos comida e presentes: trazes demasiadas coisas mas é a ti que Jesus quer ver.

Medo de O irritar, de não suportar o Seu olhar terrível, de ter ido longe demais na minha culpa, de ter esgotado a minha parte na Sua misericórdia.

Medo do que me pudesse pedir, de que me enviasse ao que menos desejo, do que quisesse que eu Lhe oferecesse.

Medo que outros se rissem da minha fé.

Mas recebi nos braços o menino indefeso que nasceu em Belém. E eu mesmo sussurrei as palavras que me queria dizer: não tenhas medo, estarei sempre aqui.

Querias falar de Jesus. Pensaste em algo apelativo, sofisticado e mobilizador.

Mas apareceram poucos: o imigrante que não tem amigos, a rapariga que está deprimida, o rapaz que tem uma deficiência, aquele outro maçador que não encaixa em nenhum ambiente, a mulher impopular de que todos fogem...

Sentiste-te desiludido. Sonhavas uma Igreja só para os outros.

Começa o Advento. Para quem vem Jesus? Em quem O vais acolher?

Nasceu a luz do mundo. O menino do presépio iluminou-te e fez-te brilhar.

Mas os outros não veem essa luz em ti. Escondeste-a por vergonha. É demasiado simples e ingénua para um mundo sofisticado. E deixaste que se perdesse entre as luzes da ribalta.

A luz do Menino é fogo. Ateia-o primeiro no teu coração. Só serás testemunho, luz, calor, paz... depois de arder.

Maria e José, os pastores, a vaca e o burro, os anjos, os magos... hoje só têm olhos para Jesus.

E tu nessa azáfama, com presentes e comida, mensagens e vídeos, toiletes e novidades!

Calma! O mundo não parou para salvar uma festa: montou-se a festa porque Ele veio salvar o mundo. E não tens tempo para rezar?

Fecharam o gato para não ir às filhoses. Recolhe-te um momento para voltares a Jesus.

Um Santo Natal!

É este o dia que acaba assim.

Bem-vindo Jesus!

Quando vires luzes a piscar, pensa que são anjos a cantar a glória de Deus.

Ao pendurar presentes dourados, põe dentro deles o teu tempo, coração e vida.

Se a árvore tem neve falsa, pede ao Menino que a Sua graça cubra a terra inteira.

Quando acenderes uma vela, diz a Jesus que queres arder assim, aos Seus pés, até ao fim.

E se cruzares o teu olhar com as figuras do presépio, diz-lhes qualquer coisa!

Gestos simples e baratos, feitos por ti em casa, que dão mais côr a este Natal!

Há árvores e luzes, presentes e neve falsa. Há talões de troca e subsídio de férias. Há pais natal, duendes e trenós. Há promoções, descontos e oportunidades.

E há indiferença. Nasce um menino que é Deus e ninguém repara.

Não é para te lamentares, é para o dizeres: no Natal, nasce Jesus. Na nossa festa o convite é para todos.

Só para lembrar. Não vá o barrete tapar-te os olhos.

Não tenho, como os Magos, nada para Te dar.

Não fui generoso, nem forte, nem decidido. Não Te defendi mais do que a mim. Não escutei o que disseste, não quis ver o que mostraste. Não Te recebi. Não fui exemplo. Fugi.

Ofereço-Te agora, inteiro, o meu coração. É um lugar pobre. Como pobre foi o trono que enriqueceste em Belém.

*

Começa o Advento. Deus vem aí. Prepara-te.

Há qualquer coisa que te atrai. Uma luz difusa que não vês por completo. Mas bela, forte, grande. E uma vontade imensa de a descobrir.

Atrás de ti, prendem-te outras coisas boas, que tens medo de perder e não voltar tocar.

À frente, a aventura, o risco, a audácia. Aqui, a segurança e o conhecido.

Toda a vocação pede algo de renúncia. Mas o que é isso para quem ganha Deus?

Junta-te aos magos. E quando chegares a Belém, verás que foi sempre o Menino a iluminar a estrela!

Depois de O ver indefeso e frágil na gruta de Belém? Depois de O ver voluntariamente sujeito às mesmas dificuldades que nós? Depois de O ver sofrer o indizível para nos conseguir a paz? Depois de O ver vulnerável e escondido na hóstia consagrada?

Deus quer precisar de ti.

Não temas, é Ele, levanta-te!

O Verbo fez-se carne.

Existe um homem que é Deus.

Veio para ti. Por amor.

Podes tocá-Lo.

Não é espantoso?!

Um Santo Natal.

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