Tema: Carácter

Disparas em todas as direções. Quando não concordas és terrível: desmontas ideias, destróis argumentos, mordes!

Mas ninguém sabe o que pensas. Não tens nenhuma proposta, não ofereces alternativa: destróis para nada erguer.

Parecia que a tua vida tinha um rumo. Afinal, só sabes por onde não ir. É assim que esperas que alguém te acompanhe?

Não contavas com o que te aconteceu, nem com o que te disseram. Pensavas-te mais fiável, mais responsável.

E ficaste paralisado. De repente és muito pior, todos pensam mal de ti, o futuro tem pouca saída...

Calma! Não aconteceu nada. É bom perceber o que podes melhorar, é bom ter quem to diga com frontalidade. Ninguém ficou a pensar que eras uma pessoa diferente por teres feito um erro.

Não te precipites e não exageres: agarra o desafio, com tempo. É assim que se cresce.

Fugimos do tédio para cair nele. Não suportamos o silêncio, a espera. Vivemos de distrações que não nos dizem nada.

Consumimos, acumulamos. E esquecemos tudo. Não queremos aprender, não sabemos observar, não escolhemos construir.

Cercados por ecrãs, com os ouvidos tapados, as mãos ocupadas, o olhar hipnotizado, fingimo-nos ocupados com o que sabemos ser vazio.

Não estava mal reaprender a não fazer nada, para recomeçar a fazer alguma coisa.

Vives de eventos, momentos mais ou menos breves que te entusiasmam por Deus. E não transformas essas experiências em vida. Deus falou-te e queria continuar a conversa, mas tu só O ouves quando é intenso.

Que pena! Podias crescer na amizade com Ele.

Escreve o que te ajudou na oração, para poderes voltar a essa ideia. Concretiza em ações as luzes que tiveste para serem mais do que bons desejos. Se te impressionou o testemunho de alguém, pensa que coisas se aplicam à tua vida. Se saboreaste um tempo de maior relação com Deus, traz isso para o teu dia-a-dia. Se tocaste o amor de Jesus por ti, procura amar em resposta.

Não perguntes apenas se foi bom. Quanto ficou?

Já és crescidinho. E dás-te conta que não chegas à maturidade de modo perfeito: tens defeitos. Inclinações más que puxam por ti com força para o que sabes estar errado. E, com vergonha, admites que, por vezes, desejas o mal.

É a vaidade? A intemperança? O egoísmo? A impureza? A avareza? Seja o que for, vai custar-te sempre.

Mas não te rendas: luta. É difícil matar o defeito mas, com a graça de Deus, podes dominá-lo. Esmagar o desejo do mal com o desejo do bem.

Conhece-te, evita o gatilho da tentação e dá um tom desportivo e alegre a essas conquistas. Aprende a viver contigo.

Se estás apaixonado, não queres ser como ninguém. Apenas estar com quem amas.

E Deus, infinitamente apaixonado por ti, não te quer igual a nenhum outro. Apenas estar contigo.

Tens muito que fazer e já fizeste imenso. Chegou uma parte difícil. Não tens nenhuma obrigação. Surgiram coisas com que não contavas. Já não vale a pena, não ia resultar. O resto da equipa fez pouco. O teu entusiasmo passou.

Tens várias razões para deixar o trabalho como está, desistir. Que alguém lhe pegue a partir daqui.

Mas não te comprometeste? Então acaba-o. É a tua palavra. Ou a pena de olhar para trás e ver tudo o que quase fizeste, sabendo que não fizeste nada.

São muito melhores, não envergonham tanto, até ficam bem. São mais comuns, toda a gente os tem, até dá para fazer piadas e viver com leveza.

Os teus defeitos não. São um peso, uma humilhação. Deixam-te triste, sem esperança.

Mas como isto é verdade para todos, é mentira. Não há defeitos bons. E há mil escondidos.

Dá luta aos teus: Deus pode vencê-los.

Tu, que não és teimoso, nem obstinado. Que não és irreverente. Que ouves e reconsideras; que procuras ser dócil. Que não segues desalmadamente as tuas paixões. Que escutas o dever e és amigo da prudência. Que desprezas a tua imagem e amas a discrição. Tens falta de personalidade, dizem. Irritas!

Não se dão conta de que já alcançaste o que eles, em vão, se esforçam por alcançar. Que, entre todos, te destacas como o mais forte, o mais seguro, o mais feliz. Que és templo de Deus e que o Espírito Santo habita em ti. Que tens um Pai e és Seu Filho.

Não há personalidade mais marcante que essa.

O restaurante, o plano, as férias, a cor, as horas...

Nunca tomas posição, não queres decidir. Foges de tudo o que te possa complicar a vida, suscitar críticas, criar conflitos.

Parece amabilidade mas é, na verdade, indiferença. Uma preguiça para tudo, que te impede de desfrutar a fundo das coisas boas.

Anda, mexe-te, arrisca! O prazer da tranquilidade vale muito pouco comparado com o da aventura!

É sempre!

Não foste nada claro, mas ele é que não percebeu. Não atendeste mil vezes, mas ele é que te recusou uma chamada. Não te empenhaste, mas eles muito menos. Não aceitas críticas, mas ele é que tem a mania. Não estudaste, mas eles é que dão imenso trabalho.

Procuras sempre justificações, nunca responsabilidade.

Com um pouco mais de humildade podias, pelo menos, ser realista. Dava para ir corrigindo o que é, obviamente, culpa tua.

Serias capaz de o contar com sinceridade? As aplicações que usas, as pesquisas que fazes, todos os perfis que tens, o tipo de vídeos que vês, o que jogas, em que gastas dinheiro, o tempo exato que perdes.

Ou é uma versão oculta de ti próprio? O teu refúgio para fazer o que quiseres sem ser visto?

Com uma vida dupla não podes estar bem com Deus. Sem sinceridade não podes estar bem com os outros.

Não tens que apregoar ao mundo o que fazes na internet mas, a quem te ajuda, podes pedir conselhos. E ir cortando, uma a uma, as coisas que te envergonham, roubam tempo e sono, e afastam de Cristo.

Muito mais do que dizem os outros, muito mais do que achas, muito mais do que o mundo diz que podes alcançar.

Vales mesmo quando não és capaz do que todos são, quando ficas para trás, quando são patentes os teus erros. Vales mesmo quando és o último, quando estás sujo, quando estás só.

Foste querido por Deus e por Ele amado até à entrega completa na cruz. Isto é imutável e bem mais certo que as avaliações de quem tens ao lado. Deus acredita em ti e admira toda a tua beleza: tenta recordá-lo mais vezes.

Ainda que sejas líder e tenhas talento para isso, vais errar e fazer mal algumas coisas.

Não o escondas, não sejas teimoso, não inventes desculpas. Domina o orgulho, admite o erro e pede perdão.

Sim, perante a equipa e aqueles em quem mandas. Não terás qualquer autoridade se não vês na liderança um serviço.

Também se és pai, mãe, polícia, professor, padre, mestre, capitão... apóstolo!

Já viste a mensagem. Sem abrir a aplicação ninguém vê que viste. Se não respondes logo talvez fiquem com a ideia de que és muito ocupado. Ganhas tempo. Atrasas o esforço de ir consultar a agenda para poder responder. E tentas manter aquela ténue sensação de liberdade por não te comprometeres numa resposta.

Do lado de cá fica a dúvida: anda muito atarefado, talvez seja distraído, pode ter-se esquecido sem querer, está a tentar procurar buracos na agenda, perdeu o telemóvel, os jovens de hoje são assim...

Ou será que te estás a marimbar? Que desprezas quem ficou pendente da resposta?

É o que parece.

Que pena.

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