Tema: Frivolidade

Tens lutas difíceis para enfrentar. Ganhar novos hábitos, mudar rotinas, cortar de vez com esse erro.

A tua cabeça entende a urgência. Mas não te apetece nada!

E vais atrasando. Pedes opinião, perguntas como se faz, e não pões em prática nenhum conselho. Querias que, por milagre, a coisa se resolvesse, que começasse a apetecer, que mudassem as circunstâncias para não teres de mudar tu.

Falta-te decisão. Podem ajudar-te mas ninguém te vai obrigar. Tens de pensar e escolher o que queres, não o que é suposto quereres mas nunca decides. Usa a liberdade.

Deus é, para ti, uma espécie de amuleto. Podes pedir-lhe tudo mas não Lhe ligas nada. Dá-te sorte mas não te dá deveres.

Pedes boas notas quando não estudaste, pedes azares para quem não gostas, pedes uma conquista quando estás comprometido. Até pedes pelo negócio em que queres fugir aos impostos!

E reclamas! Pelas doenças, pelas contrariedades, pelo mal que te acontece, naturalmente convencido que é injusto.

Esse, que tentas comprar, não é Deus. Deus é quem te criou e te chama com um amor infinito. Pede que lhe dês a vida inteira e quer dar-te muito mais do que tu Lhe pedes nos teus desejos egoístas.

Pede-Lhe fé.

Há qualquer coisa de estranho nos teus momentos preferidos. Tudo o que consideras verdadeiramente bom foi vivido com pouquíssimas horas de sono ou com uns copos a mais. Precisas de te aproximar dos limites para o sentimento bater com mais força.

O que se passa? Por que não consegues desfrutar das coisas boas de cabeça fresca, plenamente consciente, tentando entender ao máximo o que houve ali de bom? Por que precisas de forçar uma intensidade fabricada?

Do que é realmente bom, desfrutas mais se estiveres desperto. De Deus, da amizade, da beleza. Meio morto fica tudo igual: intenso.

Acorda... para a Vida!

Recebeste uma notícia preocupante, chocante mesmo, ou comovente. Mas ficaste preocupado com a gestão do mexerico: a quem vais contar? Porque não soubeste antes? Quem soube? Que pena não seres tu a espalhar o segredo!

E aquele primeiro choque, que faria um católico rezar, oferecer ajuda e ser discreto, transformou-se em desinteresse e esquecimento. Já não tens novidades para ninguém.

É incrível como transformamos uma oportunidade de servir num desejo vulgar de brilhar. Volta para o teu lugar.

À tua volta falam de dinheiro, de carreira e de investimentos. Até com sobranceria sobre os ingénuos que ganham menos. A conversa é exclusivamente material e tu, sem autoridade no assunto, sentes uma ponta de vergonha.

Não tens muito para investir. O teu trabalho é cuidar de alguém, ou ensinar crianças, ou manter um lar, ou ouvir quem precisa, ou atender quem ninguém atende. E não te tem feito rico.

Mas tu sabes o que ganhas, e que o perderias em busca da fortuna. És mais rico quando dás. Quando te dás.

Se podes ganhar muito dinheiro, ganha. Se podes ganhar pelo bem que deixas feito neste mundo, prefere-o ao dinheiro. A vida boa não se compra, vive-se.

Fica-te bem essa corzinha. E dá gosto ver-te assim, com bom ar e alegre.

Mas trabalhas o bronzeado meticulosamente! Os horários, o ângulo de exposição ao sol, os cremes, as manchinhas, o tom uniforme, os estudos ao espelho... O teu verão serve, sobretudo, para ficares apetecível.

Não te preocupes tanto: gostamos muito de ti mas não é por isso. Nem te interessa o afeto dos que te desprezam em tom pálido!

E, sendo uma pessoa comprometida, far-te-á bem essa obsessão por ficar atraente?!

Tudo te passa pela cabeça. Não consegues evitar que esses pensamentos cheguem, mas podes escolher o que fazer com eles.

E alimentas o que te faz mal: filmes impossíveis, cenários improváveis, finais desfasados da realidade que te alimentam a ansiedade. Histórias negativas que te enchem de medo ou ilusões perfeitas que te enchem de ti próprio.

Podes mandar mais na imaginação, ocupá-la com pessoas, com bons projectos e com Deus. Sem perder tempo em filmes mentais, ganhando em realismo e objetividade. Não vives em Hollywood.

Normalmente estás contente. Tens capacidade de entusiasmo para os projectos em que te metes: pensas com audácia, procuras surpreender e agradar, consegues trabalhar com serenidade e alegria.

Mas quando chegas ao fim, depois do consolo de ter terminado bem uma tarefa, deixas-te abater um bocadinho. Por momentos, não tens nada para mostrar, para te distrair, para receber elogios e ter importância. E dás espaço a perguntas sem sentido: o que os outros acham de ti, se o que fazes é mesmo importante, se vão voltar a contar contigo...

É muito boa essa capacidade de entusiasmo. Mas as pequenas tristezas mostram que podes trabalhar com outra intenção: só para Jesus, enquanto e naquilo que Ele quiser.

Precisam de ti. És tu que lideras, que fazes os bons planos. Conheces as pessoas, és bom amigo, sabes ouvir e aconselhar. Sem ser famoso, és popular.

Mas isso, ultimamente, diminuiu: parece que contam menos contigo. Será que já não precisam?

Estás habituado a ser regaço. Aproveita esta aparente solidão para purificar o desejo de servir e fazê-lo, de agora em diante, para consolar, não pelo consolo de ser necessário.

Continuam a precisar de ti. E tu de Deus que te deu esse dom para ajudar outros. Não o troques pela popularidade.

Entusiasmas-te com projetos novos, tens ideias, fazes planos. Pões uma esperança grande no que ainda não foi estreado e não tem nenhum defeito.

E eles aparecem: o teu cansaço, as opiniões diferentes, o que afinal não pode ser como sonhaste, as partes chatas de todos os trabalhos...

Por isso, não acabas nada! Não perseveras, não o levas até ao fim. Vais substituindo esse dever por outro, entusiasmante, que tem também os dias contados.

Não tens de estar motivado. Tens de te comprometer e acabar o que começas, grande ou pequeno, com empenho nas últimas pedras.

Não atires ao vento, por criancice, tanto potencial.

Esta pergunta não é só para os famosos, ou para os ricos, ou poderosos, ou influencers. É para todos os que desejam sê-lo. É para ti.

Encontras segurança em viver confortavelmente, ser socialmente aceite, poder mostrar os teus talentos, ser ouvido e respeitado. Não muito, só o suficiente, o normal.

Mesmo assim, para quê?

Agradece a Deus se a vida te corre bem. Mas entrega-a se, para correr bem, deixas Deus em segundo.

Para te agarrar à terra, bastam os fios mais finos. Os mesmos que não te deixam desfrutar a alegria do abandono e que podem fazer perder a tua alma. O mundo inteiro? Não vale nada.

Fazes os mínimos, nunca arriscas. Tens medo que perturbem a tua tranquilidade egoísta. És um picuinhas que se fere com as coisas mais insignificantes. Não tens interesses e a tua conversa resume-se a frivolidades e prazeres.

Foste feito para mais! Para uma vida de heroísmo, de aventura, de amor.

Se podes ser melhor, tenta. Se podes dar mais, arrisca. És filho de Deus: o mundo é teu.

***

Estás disposto a complicar a tua vida para dedicar mais tempo aos outros?

Tens metas altas no trabalho e no estudo para que o teu testemunho cristão chegue a mais pessoas?

Em tudo o que fazes o que mais importa é a tua imagem. Se corre mal mas tu ficas bem visto, correu bem. Se corre bem mas ficas com má imagem, foi uma desgraça!

Não olhas ao espelho para ver como estás, mas como te veem. Treinas com a imaginação as discussões que ganhas e as curiosidades que tens para contar. Revives vezes sem conta os momentos em que perdeste, para os tentar recuperar. O grande medo é que percebam que tens defeitos.

Tens e são bem patentes. Que complicação tentar escondê-los em vez de os vencer.

Ai! Será que alguém pensou em ti quando leu este post?!

Se dás por ti a deslizar sem rumo nem interesse, se te espantas com as coisas sinistras que aparecem no feed, se corarias por saberem as futilidades com que perdes tempo, se preferes não ver o tempo médio de atividade no teu perfil, se não aguentas uma pausa sem procurar novidades, se te preocupas mais por ser seguido que por seguir, se é onde estás antes de adormecer, se te interrompe a oração...

Não voltes cá hoje. Não perdes rigorosamente nada!

Transformas-te a fazer compras. Um entusiasmo que não tens para mais nada, justificações racionais que não costumas usar no resto, e a ideia angustiante de que a tua vida depende do que vais comprar.

Até me ofendes! Parece que isso é mais importante do que eu.

O que ganhas com tantas coisas? Status? Conforto? Ficas mais bonito? Falam de ti? Se isso não vale nada...

Estás preso no que possuis. Não consegues verdadeiramente entregar-te a Deus. Não és capaz de te dar aos outros.

Ainda és tu que tens a chave.

Posts mais antigos