Tema: Liberdade

Mas se não comprasses, poupavas ainda mais.

Usas desculpas para ter mais, para ter o que os outros têm. Para ter coisas novas, que não precisas, mas te ocupam o tempo e te dão uma alegria efémera.

Quantas vezes justificaste um gasto de dinheiro com razões de necessidade, de eficácia, de oportunidade, e pouco depois deixaste o brinquedo novo arrumado a um canto?

É bom viver com pouco, mesmo que possas ter muito. És mais livre, mais alegre, e tens mais tempo para o que vale verdadeiramente.

Tens um coração grande, muito dado, que pede muita atenção. Procuras ligar-te e facilmente te prendes aos outros.

Mas começas a perceber que uma grande amizade é diferente de uma amizade muito intensa, que pode transformar-se numa amizade exagerada.

Porque seca as outras amizades, ou porque te faz descuidar as obrigações, ou porque invade o terreno do teu compromisso, ou porque te afasta de Deus, ou porque simplesmente te tira tempo a mais.

Tranquilo. Com um bocadinho de ausência reequlibras o coração. A separação é difícil mas necessária para provar que essa amizade é sólida.

Não tens um momento de silêncio. Foges.

Estás todo o dia a consumir conteúdos. Alguns interessantes, outros ridículos. Sem te dares conta, o que procuras é a quantidade.

E esse zumbido constante vai calando a voz da consciência. Porque fala mais alto, substitui qualquer coisa, tem autoridade. E sem momentos de silêncio, deixas de reconhecer Deus.

A meditação de Deus e dos seus mistérios far-te-á generoso. É disso que precisas, antes de ser interessante. Não fujas do silêncio: procura-o.

Que maravilha! Descobrir que o mesmo Deus que tudo criou me fez apenas por amor. Que Aquele que não precisa de nada, me pede o coração inteiro.

Descobrir que me escuta o mesmo que sabe tudo. Que me olha continuamente ainda que eu Lhe vire as costas.

Descobrir que levou a cruz no meu lugar, que deu a vida por mim. Que me deixou a Missa para eu reviver a Sua paixão.

Descobrir que o Omnipotente me espera num pedaço de pão em cada sacrário. Que o Inocente nunca se cansa de perdoar-me.

Então, ser cristão não é uma mania desinteressante de uns quantos iluminados? Não! É descobrir para que tens coração.

És muito disponível. Quase sempre movido por uma genuína vontade de ajudar. Mas, na verdade, sabes que há outros motivos para essa generosidade.

Estás disponível para quem te elogia, disponível para pessoas bonitas, disponível para o que gostas, disponível para os influentes, disponível para o que promete...

E não estás disponível em casa.

Já sei que é onde passas mais tempo, mas há uma prontidão e empenho, que mostras noutros lugares, que não tens na tua principal missão. E reclamas, sobrecarregado, com o muito que já fazes.

Antes do que apetece, faz o que deves. Do que te atrai fora, existe melhor em casa.

Tens no coração o bom desejo de levar a mensagem de Cristo a todos, sem exceção. Mas meteste na cabeça a ideia de que, para o conseguir, deves aguar essa mensagem, tirar-lhe radicalidade, omitir o que choca.

Por isso, não dizes nada. Só o que é simpático e consensual. Até gostam de ti, mas quando se ouve o que dizem todos, tanto faz quem se segue.

Não desfigures o rosto de Jesus, não mudes a Sua mensagem. Muda tu: em compreensão, em generosidade, em simpatia, em caridade. E em coragem! Assim poderás chegar a todos, dizendo tudo.

Tens lutas difíceis para enfrentar. Ganhar novos hábitos, mudar rotinas, cortar de vez com esse erro.

A tua cabeça entende a urgência. Mas não te apetece nada!

E vais atrasando. Pedes opinião, perguntas como se faz, e não pões em prática nenhum conselho. Querias que, por milagre, a coisa se resolvesse, que começasse a apetecer, que mudassem as circunstâncias para não teres de mudar tu.

Falta-te decisão. Podem ajudar-te mas ninguém te vai obrigar. Tens de pensar e escolher o que queres, não o que é suposto quereres mas nunca decides. Usa a liberdade.

Precisamos de ti. Por isso, agora é para descansar, parar, mudar hábitos ou fazer tratamentos. O que o médico mandar.

Não vale a pena armar-se em forte, nem disfarçar fragilidades. Cuida-te e recomeçarás com mais força.

É o momento de desconfiares do teu jeito, da tua inteligência, da tua resistência. Para confiar em Deus e entregar-Lhe tudo.

Ele sabe. Deixa-O agora fazer por ti.

Se ninguém fala para explicar, cairemos nessa armadilha. Se não falamos para pedir ajuda, não sairemos dela.

A pornografia contamina o nosso olhar sobre os outros, desfaz a nossa alegria, engana a nossa autoestima, despreza a nossa relação com Deus, destrói a nossa vontade.

Tristes e insaciáveis, continuamos a permitir a exploração de alguém, o comércio dos corpos, a destruição das famílias.

A boa notícia? Podemos agir, pedir ajuda e ajudar. Recuperar a liberdade. Falando.

*

@da.oclique nasceu para isso. Segue. Mesmo sem precisar de ajuda, ajudas alguém.

Querias estar sempre entretido, viver continuamente com estímulos agradáveis: trabalhar com entusiasmo, rodeado de pessoas, rir muito, comover-se, agarrar desafios, ver coisas novas...

Mas não consegues e procuras recompensas no telemóvel. É o teu melhor amigo. Faz-te parecer ocupado, tem sempre novidades, prepara coisas para ti, faz-te rir e comove-te, está sempre disponível.

E diminui a tua vida interior, estraga a tua relação com os outros e seca os teus talentos. É quando estás aborrecido que és mais vulnerável: mau momento para escolher más companhias.

Deixa-te aborrecer. Lida contigo mesmo, sem disfarçar misérias. Aceita os momentos chatos da vida e aprende a enfrentá-los com verdade.

Noite. Sais, divertes-te, bebes um copinho, dois, dez... apanhas uma bebedeira. Pegas no carro, rumo a casa: – E se apanho polícia? Huf! Desta safaste-te.

Outra noite. Sais, divertes-te, bebes um copinho, dois, dez... apanhas uma bebedeira. Pegas no carro, rumo a casa: – E se apanho polícia? E apanhas mesmo! Que azar! Lá vai a carteira. A consciência pesa: nunca mais o repetes.

Moral da história: tem em atenção as consequências dos teus atos.

Tem. Mas essa não é a moral cristã! O problema não é ser apanhado ou visto, pagar uma multa ou ir preso. É o que escolheste fazer de errado, mesmo que não cheguem as consequências.

Farei como as crianças que sabem nada saber.

Acreditarei nas boas intenções. Calarei as birras pelos caprichos que não me concedem. Jogarei outra vez, com a mesma alegria, depois de perder. Ficarei envergonhado quando a soberba fizer caretas de adulto. Chorarei arrependido por ter desgostado alguém. Aceitarei simplesmente tudo o que me derem. Gritarei ao Céu a minha necessidade. Pedirei ao Pai que me explique.

E assim, livre, sorrirei.

Normas, regras, conduta... percebo o teu esforço, mas não a obcessão.

A obediência cristã é inteligente e livre: vive-se por amor. O que é imposto só se aceita por medo.

À tua autoridade e eloquência, pode ceder um ou outro. Irresistível é o amor de Cristo.

Por onde queres começar o teu apostolado?

***

És um bom amigo? Partilhas com simplicidade o lugar que Jesus ocupa na tua vida?

E percebes que um santo não se faz num dia?!

Não podes ter aproveitado! Todo o tempo que ocupaste a tirar as fotografias, a escolher, editar, rejeitar e repetir todo o processo outra vez... não te deixa espaço para desfrutar dos momentos.

Importa mais que o vejam e que pareça que gostaste. Preferes os likes e os comentários à qualidade do momento!

Experimenta desligar. Faz coisas boas, divertidas, únicas... E não as registes: vive-as!

Não sejas orgulhoso, sabes que tem razão.

Custa-te que descubram as tuas fraquezas. Tu próprio só agora percebes esses defeitos!

Mas não é bom que te conheças? Não é bom que alguém tenha sido sincero contigo? Não é bom saberes onde deves pôr a tua luta? Não é bom poderes contar com quem te quer ajudar?

Então, o único problema é essa pequena humilhação! Que, na verdade, só te faz bem. Deixa-te de lamentações e põe outra cara!

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