Não se trata apenas de ter pouco, ou de dar muito. É preciso desprender-se de outras seguranças além de Deus.

Dá o que te custa: a esmola, o tempo, a atenção. A vontade, o futuro.

E o que faltar, Deus porá.

Não faças as pessoas esperar. Espera tu. Chega antes, mostrando que valorizas quem conta contigo, o seu trabalho e o seu tempo.

É um pormenor de serviço e de humildade. E, enquanto esperas, podes rezar por eles.

É que estás tão habituado a pôr a tua agenda acima do tempo dos outros, que até fazes Deus esperar.

Ninguém tem de esperar por ti. E essas desculpas já não pegam: se queres, chegas a horas. É só pensar um pouco mais nos outros. E menos em ti.

Não esperes mais. Confessa-te hoje.

Procura ter habitualmente a alma limpa. Das grandes manchas e das nódoas mais pequenas.

Se esperas pelos grandes pecados para pedir perdão, nunca chegarão a doer-te as pequenas infidelidades.

E que amor despreza os detalhes?

Numa conversa descontraída, ouves uma boca à Igreja, uma piadinha sobre a doutrina, um comentário infeliz sobre o Papa...

Ficaste com vergonha e até esboçaste um sorriso. Não disseste nada.

Já sei que é difícil, mas é quando tens de te queimar. Afirmar as tuas convicções, guardar o que tanto amas.

Fala da Igreja com carinho, defende-a. E quando não o souberes, estuda. Talvez se riam de ti, mas acabarão por te admirar. E —o que importa!— por admirá-lO.

Admiras a vida dos santos e espanta-te a exigência daquela entrega. Mas sentes-te muito longe dessa radicalidade. Na verdade, não a desejas para ti. Pelo menos, ainda não.

Assumiste que o teu caminho cristão é mais modesto, que te bastam as obrigações da piedade e os princípios da moral. Mas não te sentes chamado a imitar aquelas vidas loucas que admiras.

Já falaste disso a Jesus?

Talvez percebas que o Senhor te pede a mesma entrega, mas não nas mesmas coisas. E que uma maior intimidade com Deus não está assim tão longe da tua vida habitual. E que esse caminho modesto que procuras também é lugar de santidade. E que vale a pena deixares Deus moldar-te o coração.

Há coisas que fazes muito bem e que deves assumir com responsabilidade. Há outras coisas das quais não percebes nada e que é melhor não seres tu a fazer.

Entrega o trabalho que outro faz melhor: ele que tenha o gosto e o mérito. Entrega a direção da tua alma: Deus serve-se de instrumentos para te guiar. Entrega a saúde a um médico: não vás à procura de sintomas na internet. Entrega o arranjo a um técnico: o barato sai caro.

Entrega a tensão do que não controlas e o medo do que desconheces. Serás mais livre confiando em quem sabe. Os outros sabem. Deus sabe.

Não to digo pessoalmente desta forma, mas tenho para mim que és uma pessoa extraordinária. Admiro-te mesmo, até te invejo. Recomendo-te, elogio-te, dou graças a Deus pelos dons que te concedeu.

Por isso me dá tanta pena ver-te assim. O sucesso subiu-te à cabeça. Não perdeste as qualidades mas agora medes quem as merece e fazes-te retribuir. És cínico e desatento. Deixaste de ouvir e tens a tua opinião em demasiada conta.

Há na história uma pessoa verdadeiramente extraordinária. Que foi simples e amável. Como tu ainda podes ser.

Às vezes tens uns acessos de generosidade. Falta-te alguma coisa e pões todos os meios para que Deus to conceda: rezas mais, vives melhor a caridade, dás esmola, jejuas... Precisas de uma motivação extra para seres generoso.

Mas reparas no que Deus já fez por ti? A tua vida e os teus talentos, a cruz e a Eucaristia, os que te amam, os desafios superados, o consolo da oração.

A tua generosidade, desde o primeiro dia, pode ter mais de agradecimento. Sem deixar de ser súplica, mas confiando em quem já te deu tudo.

Sê agradecido, dá por amor. Até chegares a dar sem te importar se recebes.

Quando consegues que alguém faça algo por ti coagido pela tua pressão, essa pessoa fica com menos vontade de o repetir. Gasta capacidade de dar.

Mas se o fizer livremente, levado por amor, ficará com vontade de fazer por ti muito mais. Cresce em capacidade, encontra iniciativa e criatividade, conta o dom que te fez como um lucro para si.

Por isso, quando vês no outro má vontade, dons contados e negociados, pensa que isso pode ser uma imagem da tua coacção. Com a tua pressa de obter, tratas como posse o que devia ser relação e liberdade.

Aprende a animar, convidar, mostrar apreço e gratidão. Recebe esse amor de mão aberta, não com o gesto fechado de quem agarra.

É o que tenho hoje, uma pequena dor. Mais nada de jeito para Te oferecer.

Amanhã, com a Tua ajuda, poderei.

Se falar muito bem, és muito católico! Ficas tocado com as palavras bonitas que não pões em prática mas repetes.

E se não gostas do padre, reclamas, já não vais aquela Missa. É velho, antiquado, chato, diz as coisas de sempre. Assim não atrai ninguém.

És católico quando isso te agrada. Mas se não segues Cristo quando te desagrada, és católico para quê?

Tens que dar mais um passo: a tua relação de intimidade com Jesus. E assim correrás atrás Dele, se o padre falar bem ou se for mudo!

Nem por terem aparições e visões. Nem por uma chamada exclusiva a conhecer as coisas de Deus.

Foram santos no mesmo lugar em que tu estás. Com fé e com dúvidas. Com vitórias e com derrotas. Com alegrias e com dores.

Foram santos cheios de trabalho, cansados, às vezes com mau génio. Com os seus gostos, com os hábitos, com as suas manias, com a sua autoestima.

Foram santos porque lutaram por responder com amor ao amor de Deus. Se eles puderam, tu também podes.

O Queima-te vai mudar.

Foram mais de cinco anos a fazer publicações diárias. Foi muito bom, mas acabou.

Agora publicaremos quando acharmos que faz sentido. Talvez dois posts numa semana, ou um num mês, ou três num dia...

Continuaremos por aqui. De surpresa!

Assim não. O celibato não é o caminho das relações falhadas e dos corações mal resolvidos. Não é a solução para fugires dos teus medos, nem a alternativa às tuas mágoas. Não é para os que têm pouco jeito para amar.

Deus pede um coração inteiro, nobre e limpo, entregue por amor, com liberdade, com alegria. Pede a vida inteira para a dedicares aos outros, entre a multidão ou escondido a sós com Ele.

Deus pede tudo, não o que sobrou.

Se é um pormenor técnico ou estético, acho bem que te atualizes. Como acho bem que faças como antigamente, se isso te der gosto.

Se é um bem moral, fá-lo, ainda que sejas o único. Se já ninguém faz, alguém tem de recomeçar a fazer.

Não sigas a moda, segue a tua consciência, formando-a na procura da verdade.

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