Há aspetos da doutrina da Igreja que se entendem mal quando não se praticam. Outros não se compreendem sem estudo. Também os há difíceis de aceitar quando vivemos num mundo que nos ensina (e incita) ao contrário... E ainda há aqueles que não nos inclinamos a aceitar, porque teríamos de mudar de vida. E como custa mudar de vida!

Mas deves conhecer essa doutrina e conselhos da Igreja. De Jesus.

Lê, pergunta, aprofunda. Estuda com humildade, não fiques pelas bocas.

As bocas tranquilizam-te na vida que tens. E esqueces a que devias ter.

Pede, agradece, conta a Deus as tuas coisas. Mas lembra-te dEle: na oração também conheces Deus.

Por isso, não centres esses momentos de conversa apenas nos teus assuntos. Abre o Evangelho e procura conhecer Jesus, pergunta-Lhe porque faz isto ou diz aquilo. Louva-O com as tuas palavras. Chama-Lhe Amor, Senhor, Pai, Rei... amigo, irmão, confidente.

Olha! Contempla os mistérios da nossa Fé, espanta-te diante da beleza da Eucaristia, do Presépio, da Cruz.

E conta-Lhe tudo, mas deixa-O falar. O centro da tua oração é Deus: às vezes tens de sair da frente!

Que a santidade era uma coisa muito difícil, para os melhores. Que necessitavam de Deus, mas não aspiravam a uma vida mística. Que amavam os outros com todo o coração, mas que não faziam mais que o seu dever. Que se dedicavam à família e aos amigos, mas que isso era o normal. Que se confessavam e comungavam com frequência, mas que nunca lhes ia aparecer Nossa Senhora. Que ajudavam os mais pobres, mas que nunca fariam milagres...

Os santos pensavam que eram como tu.

E eram.

Ainda pecamos, ainda pedimos perdão, ainda precisamos de conversão. Ainda queremos salvar-nos e que outros se salvem. Ainda queremos chegar ao céu e livrar-nos do inferno.

Ainda ligamos ao exemplo e às palavras de Jesus. Ainda recebemos as graças da Sua Paixão e morte.

Ainda queremos amar e unir-nos a Cristo. E Ele ainda conta connosco para a redenção do mundo...

Então sim, parece que pode.

Em casa, na Igreja, na noite, no desporto, nas redes socias, és a mesma pessoa? Levas Deus contigo quando estás com a família, com os amigos, com o grupo de jovens, na escola?

Ou achas que "vez por outra não faz mal"? E que "não vale a pena exagerar"? E que "se não for agora quando é que vai ser"?

É que isso é diferente de lutar: é desistir, virar as costas.

A fé não é um adereço de pôr e tirar: Cristo pediu-te a vida inteira. A que Ele deu.

É que o tempo passa e pareces não ser capaz: cais nas mesmas lutas, tens os mesmos defeitos, não vences três vezes seguidas...

Continua a pedir com esperança. Acabarás por perceber o que te ajuda, que meios tens, o que te levará à vitória.

Talvez Deus permita que te vejas fraco para confiares mais Nele. E menos em ti.

Mas se o teu esforço é sincero, Ele sorri com a tua luta, até com os teus trambolhões. Se te levantas com Amor, a vitória já não demora.

Como pode alguém estar alegre, no meio de tanto sofrimento pessoal ou conhecendo a dor dos que ama?

Lembra-te de Santa Teresa: quem a Deus tem, nada lhe falta, só Deus basta.

O sofrimento não desaparece, mas vive-se acompanhando. A dor dos outros não nos é indiferente, mas sabemos que não é a última palavra. Não deixamos de chorar, nem de consolar, mas unidos às dores de Cristo. E em paz.

Deus é suficiente. Só Ele O é. Ainda não chegaste a este abandono? Nem eu, mas como queria chegar... Pedimos?

Jesus quer habitar no coração de todos, em todos os lugares. Pediu-nos —a ti e a mim— que O levássemos a quem ainda não O conhece.

É levar a felicidade.

A tua família, escola, universidade, trabalho, são terra de missão. Mostra Cristo com a tua conduta e com a tua palavra.

Não te escondas, não te envergonhes: não estás a mostrar fraquezas, está a mostrar Deus. E Deus faz falta.

É o primeiro passo: pedir perdão e ajuda. Procura um sacerdote e confessa-te. Mesmo que a vergonha torne esse passo muito difícil, verás como faz diferença aceitar a misericórdia de Deus.

Fala, sê sincero, abre a tua alma. Podes começar com "tenho que falar de uma coisa que nunca contei e que me envergonha muito". E deixa que te aconselhem, que te ensinem a lutar, que rezem por ti. E que te exijam.

Aceita-os! São o melhor para ti. Às vezes, vão mesmo contra os teus sonhos. Outras, são só chamadas de atenção para reconheceres a tua fraqueza e necessidade de Deus.

Fizeste as coisas certas e bem, mas não resultou! Ânimo! Deus sabe mais: sobre a tua vocação e sobre essa borbulha que te apareceu no nariz!

Do mesmo que tu. Por isso, se te parecer que a vida hoje está muito difícil para um católico, lembra-te que a Igreja cresceu em tempos mais duros.

Não te lamentes, queima-te.

Deus conta contigo para Se fazer presente neste mundo. E deu-te as armas de sempre: o Evangelho, a oração, o serviço, o perdão, a penitência, o terço...

Contavas com uma vida cómoda? O amor de Cristo bem vale esse conforto.

Tens sonhos. Queres deixar uma boa marca no mundo e mudar as coisas à tua volta. Já tiveste mil ideias que podiam ajudar muita gente.

Que bom! Tens Deus contigo. E cabeça, talento, tempo e ajuda.

Sê humilde e confia esses projectos ao Senhor, mas não deixes de fazer tudo o que estiver ao teu alcance para os levar para a frente.

Se podes deixar a tua marca no mundo, deixa. Por Deus. Ninguém o fará por ti.

É que não basta que venha de família. Nem basta dizê-lo. Nem sequer basta ter fé. Tens que fazer alguma coisa!

Conhecendo Jesus, perceberás que Ele muda toda a tua vida, tudo o que fazes, tudo o que és: filho de Deus, criado, amado e salvo por Cristo.

Já viste, que glória? Não queres corresponder a esse amor?

Se és católico, os outros notam. Se não notam, ficaste só à porta. Entra!

Não tens paciência, não tens vontade. Até parece que não tens Fé. Ficas muito aquém do que sabes que poderias dar.

Reconhece a tuas dificuldades e vai ter com Nossa Senhora. Comove-a, como uma boa criança arrependida.

E pede. Pede-lhe que te leve, pela mão, até Jesus. E que fique com Ele e contigo, até ter a certeza que não sais dali!

Em princípio, custa tempo e esforço aprofundar na nossa fé. Mas vale a pena. É como mergulhar pela beleza dentro e ir percebendo o que nos falta de admiração.

Não fiques pelo "acho que". Estuda.

O Catecismo da Igreja Católica é um bom ponto de partida. Depois fazes como eu e pedes a alguém que te explique!

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