É verdade que às vezes chegas ao limite das tuas forças. E aí, o descanso é uma obrigação.

Mas outras vezes és só preguiçoso: preferes o mais fácil, desanimas com o que te cansa antes de começar, dizes que não és capaz depois de ter lutado muito pouco...

Só tu é que podes distinguir as duas coisas. E só tu é que decides onde está a fronteira da tua generosidade. Não deves ser viciado no trabalho, mas deves trabalhar muito. E podes.

Como vai Cristo chegar a todos se O abandonas... por preguiça?

Na Eucaristia é o próprio Deus que está no pão e no vinho. O Verbo encarnado, que por ti morreu e ressuscitou, quis ficar vulnerável, pedindo o teu amor mas sujeito ao teu desprezo.

Ama a Eucaristia, participa na Missa com maior cuidado, visita o sacrário com mais frequência, prepara melhor a comunhão.

E deixa que todos conheçam o amor que tens ao teu Deus, a fé que professas na presença real de Jesus na hóstia consagrada, o carinho e o espanto que te enchem o coração diante de tamanho dom.

E canta-Lhe, louva-O bem alto. Até que o teu canto abafe o ruído.

Estás bem. Elegante, atraente. Não precisas de te olhar em todos os espelhos. Ou telemóveis. Ou montras. Ou janelas de carros. Ou selfies. Tanta preocupação contigo e com o que vão achar do teu aspeto...

Um segredo: ninguém liga muito ao teu aspeto!

Deves andar bem porque é um detalhe de serviço aos outros. Mas não tens que fazer da vida uma passerelle! Desse modo, a oração, a esmola, o serviço, ficariam sem espaço no teu tempo, na tua cabeça e no teu coração.

Ocupa pouco os espelhos. Chega-te para lá, arranja um espacinho! Vês Jesus?

Chegas ao fim de um dia, de uma semana, de um mês com a sensação de não ter feito nada. Ocupaste o tempo com tretas: vídeos, jogos, sestas, bolachas, séries, redes... nada de mau. E nada de bom!

Cuidado: essa sensação de inutilidade é desagradável, mas acaba por habituar.

Podias estar com outros, aprender matérias interessantes, contemplar algo belo, servir alguém, construir algo e construir-te. Podias rezar e aproximar-te de Deus. Mas só matas o tempo...

Reage. Vais a tempo de mudar.

É difícil viver a caridade num ambiente que desculpa a murmuração. É difícil não falar mal, quando todos o fazem. É difícil falar dos defeitos dos outros só com eles próprios, quando o normal é falar a todos menos aos próprios. É difícil não invejar os que fazem melhor do que nós. É difícil alegrar-se com o sucesso dos outros. É difícil não odiar os que falam mal de nós. É difícil falar cara a cara quando sabemos que nos podem responder.

É difícil viver a caridade. Mas é o único caminho.

Há muito tempo que sabes o que tens de mudar. E queres mudar. Começa!

Sê claro e concreto contigo mesmo e na oração: tenho que mudar isto, então vou tentar fazer aquilo, com esta frequência, com a ajuda de Deus, a partir de agora. E ao fim de cada dia vês se o cumpriste.

Precisamos de bons desejos, mas não chegam: é necessário concretizar, lutar, pedir perdão, recomeçar.

Só se é católico praticando!

Cheio das misérias que conheces bem, cansado de esforços falhados, com defeitos visíveis a todos, pouco considerado, com uma vida humanamente banal e escondida, sem talentos, desprezado...

Mesmo que fosses esta pessoa —não és!— devias saber-te valioso porque assim te olha Deus, que te criou cheio de amor e esperança. E carregou a Cruz para que esse amor e esperança nunca faltassem.

E não faltam!

A tua miséria é verdadeira. Mas o amor de Deus por ti é bem maior que essa miséria. Pagou a tua vida com a Sua. Será pouco?!

Aproveita esse traço do teu carácter e aprende a conhecer-te para que os sentimentos não te enganem. Se és muito sentimental, podes ficar demasiado entusiasmado com pequenas manifestações de afeto; ou em pânico com uma correção sem importância. Podes lançar-te cheio de coração a bons projetos, mas desistir quando já fazem parte da rotina.

Também na oração haverá momentos em que Jesus te enche de consolos: aproveita-os. Mas sê fiel quando eles faltarem...

Que bom se os sentimentos acompanham o dever. Mas se não acompanham, deves escolher o que está certo, não o que sentes.

Fica descansado: acabarás por fazer com todo o coração aquilo que Deus te pedir.

Não sabemos quanto devemos a essas almas entregues. Não sabemos que falta nos fazem os que são sustento dos outros numa vida escondida.

Mas esse silêncio grita. Essa vida de serviço lembra-nos que a nossa é uma breve passagem para o Céu. E que, mesmo aqui em baixo, a amizade com Cristo compensa uma vida entregue. Ou mil que tivéssemos

Não tens de agradecer à freira. Mas agradece a Deus, reza pela irmã e pede ao céu mais vocações religiosas: levam isto para a frente!

Que não te julga, não te mede. Que não te avalia como um objeto. Que te olha sem procurar vantagens. Do qual não foges, não tens medo, porque não te quer roubar nada.

Esse é o olhar de Jesus. E será o teu, se tentares viver uma vida limpa.

Volta hoje a olhar para os outros com os olhos de Cristo. E lembra-te do que Ele mesmo prometeu: bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.

Há aspetos da doutrina da Igreja que se entendem mal quando não se praticam. Outros não se compreendem sem estudo. Também os há difíceis de aceitar quando vivemos num mundo que nos ensina (e incita) ao contrário... E ainda há aqueles que não nos inclinamos a aceitar, porque teríamos de mudar de vida. E como custa mudar de vida!

Mas deves conhecer essa doutrina e conselhos da Igreja. De Jesus.

Lê, pergunta, aprofunda. Estuda com humildade, não fiques pelas bocas.

As bocas tranquilizam-te na vida que tens. E esqueces a que devias ter.

Pede, agradece, conta a Deus as tuas coisas. Mas lembra-te dEle: na oração também conheces Deus.

Por isso, não centres esses momentos de conversa apenas nos teus assuntos. Abre o Evangelho e procura conhecer Jesus, pergunta-Lhe porque faz isto ou diz aquilo. Louva-O com as tuas palavras. Chama-Lhe Amor, Senhor, Pai, Rei... amigo, irmão, confidente.

Olha! Contempla os mistérios da nossa Fé, espanta-te diante da beleza da Eucaristia, do Presépio, da Cruz.

E conta-Lhe tudo, mas deixa-O falar. O centro da tua oração é Deus: às vezes tens de sair da frente!

Que a santidade era uma coisa muito difícil, para os melhores. Que necessitavam de Deus, mas não aspiravam a uma vida mística. Que amavam os outros com todo o coração, mas que não faziam mais que o seu dever. Que se dedicavam à família e aos amigos, mas que isso era o normal. Que se confessavam e comungavam com frequência, mas que nunca lhes ia aparecer Nossa Senhora. Que ajudavam os mais pobres, mas que nunca fariam milagres...

Os santos pensavam que eram como tu.

E eram.

Ainda pecamos, ainda pedimos perdão, ainda precisamos de conversão. Ainda queremos salvar-nos e que outros se salvem. Ainda queremos chegar ao céu e livrar-nos do inferno.

Ainda ligamos ao exemplo e às palavras de Jesus. Ainda recebemos as graças da Sua Paixão e morte.

Ainda queremos amar e unir-nos a Cristo. E Ele ainda conta connosco para a redenção do mundo...

Então sim, parece que pode.

Em casa, na Igreja, na noite, no desporto, nas redes socias, és a mesma pessoa? Levas Deus contigo quando estás com a família, com os amigos, com o grupo de jovens, na escola?

Ou achas que "vez por outra não faz mal"? E que "não vale a pena exagerar"? E que "se não for agora quando é que vai ser"?

É que isso é diferente de lutar: é desistir, virar as costas.

A fé não é um adereço de pôr e tirar: Cristo pediu-te a vida inteira. A que Ele deu.

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